Desde seu primeiro álbum, “Pra Gente Acordar” — que logo recebeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa —, os Gilsons conquistaram um lugar de destaque no cenário musical brasileiro e internacional, combinando elementos da MPB com um toque contemporâneo.

Os Gilsons não abandonam o que veio antes deles, tendo a vivência numa família de músicos influído em sua musicalidade, em seu percurso como grupo. No trabalho autoral incluem elementos da cultura afro-baiana, do candomblé, das rodas de música que sempre fizeram parte do universo da família Gil. Eles criam uma poesia sonora que recupera raízes, porém aberta à modernidade, com uma linguagem própria e atual. E assim, apoiados nas influências dos grandes nomes da MPB e fazendo releituras de músicas de repertórios de certo modo já clássicos, vão construindo sua identidade.

Depois de esgotarem os espetáculos com seu primeiro álbum no Brasil e em todo o mundo, os Gilsons partem em 2026 em turnê mundial com um novo álbum para apresentar seus sucessos mais recentes.

A versátil cantora, compositora e produtora, nascida em Salvador, é considerada a rainha da Música Popular Brasileira e do Axé. Desde 1990, Daniela Mercury lançou quatorze álbuns de estúdio e participou de inúmeros outros projetos. A ascensão mundial do axé foi impulsionada pela voz de Daniela, especialmente com o sucesso de “O Canto da Cidade”, em 1992, que levou os ritmos de samba-reggae de Neguinho do Samba ao cenário mundial. 

Em 2025, ela encantou o público com a música “É Terreiro” e com seu álbum “Cirandaia Luxo”, que os críticos têm elogiado como obra-prima. A artista aborda aqui temas concretos e urgentes, como justiça climática, paz e o pertencimento aos ancestrais. Como o próprio título sugere ( “Cirandaia” refere-se a uma dança de roda popular, a ciranda), este álbum tem como tema a cultura brasileira, o espírito comunitário e a força das mulheres, e combina gêneros como o samba-reggae e o forró com o galope e o piseiro, além de elementos do rock, do kuduro e da música eletrônica.

A carreira internacional de Daniela Mercury é deveras impressionante: só em 2025, ela realizou 26 turnês internacionais, incluindo uma turnê pela Europa que passou por 12 cidades. Em 2022, ela atraiu mais de 100 mil pessoas para uma única apresentação no Porto, em Portugal.

Como bailarina de formação clássica, Daniela Mercury revolucionou os palcos ao fundir o balé clássico com a dança afro-brasileira e a dança moderna. Ela é aclamada por sua maestria técnica e sua capacidade de apresentar arranjos complexos que combinam em simultâneo dança e canto.

Sua dedicação artística, aliada a um empenho incansável pela causa LGBTQ+ e pelos direitos humanos, além de seu engajamento como ativista e embaixadora da UNICEF e da ONU, a tornam conhecida e querida. Ao longo de sua carreira, ela recebeu inúmeros e diversos prêmios, entre eles o Grammy Latino em 2007 por “Balé Mulato”.

Hoje sou um horizonte / De jasmim com mar / E assim nem mais importa / que não esteja nos teus planos / ir até o mar  (…)

Mariana Ianelli, autora destas linhas, é uma das onze vozes brasileiras da antologia de poesia bilingue que será apresentada no Bellevue di Monaco: Heute bin ich ein Horizont. Hoje sou um horizonte (Hagebutte Verlag 2026). A seleção dos poemas, publicados pela primeira vez em alemão, esteve a cargo do poeta e professor de literatura Leonardo Tonus. Para tal, ele escolheu com grande sensibilidade nomes mais ou menos consagrados, incluindo, entre outros, poetas como Adriana Lisboa e Tarso de Melo, Edimilson de Almeida Pereira e Sony Ferseck. O objetivo declarado do organizador desta antologia era dar a conhecer um panorama da produção poética atual. Com esta delicada seleção de poemas contemporâneos, cujos contextos, temas e formas são tão diferentes quanto variados, ele consegue retratar a diversidade literária, cultural e étnica do Brasil.

21 ilustradores e ilustradoras interpretam os poemas transformando a poesia dos textos em imagens, desenhos e aguarelas, do figurativo ao abstrato, em traços delicados ou superfícies coloridas.

Lilli-Hannah Hoepner traduziu os poemas para alemão, em intenso diálogo com as autoras e os autores.

Leonardo Tonus e Lilli-Hannah Hoepner apresentam a antologia, num evento moderado pelo editor da editora Hagebutte, Martin Pflanzer.

Leonardo Tonus, nascido em São Paulo, é professor de Literatura Brasileira na Sorbonne. Vive há 30 anos em França e trabalha nas áreas de literatura brasileira contemporânea, teoria literária e literatura comparada, com foco especial sobre migração. Publicou vários livros de poesia. Em 2023, o seu livro de poesia Diários em mar aberto foi publicado na tradução de Lilli-Hannah Hoepner com o título Aufzeichnungen von hoher See pela editora Hagebutte.

Lilli-Hannah Hoepner estudou direção na Escola de Teatro Otto Falckenberg, em Munique. Trabalhou como assistente de direção nos teatros Münchner Kammerspiele e Schauspiel Frankfurt e, desde então, atua como diretora independente em vários teatros municipais alemães e, também, regularmente no Brasil. Trabalha como roteirista de diálogos e diretora de dobragem, bem como tradutora.

Considerando que mais de 240 milhões de pessoas falam português em todo o mundo, em mais de uma dúzia de países em quatro continentes, podemos imaginar como são ricas e diversificadas as literaturas do mundo da lusofonia. De imediato, vêm-nos à cabeça nomes sonoros como Fernando Pessoa, Clarice Lispector, José Saramago ou Mia Couto. Mas haverá mais autores e autoras por descobrir? Que livros de escritores e escritoras que escrevem em português foram publicados recentemente em alemão? E como se expressa a herança colonial nas literaturas lusófonas?

Luísa Costa Hölzl e Wanda Jakob apresentam obras traduzidas para o alemão, tanto de autores canónicos como de novas vozes, e algumas redescobertas. Destacam o papel fundamental dos tradutores como mediadores e agentes culturais, bem como o trabalho de associações culturais como a Lusofonia e.V., que se dedicam à divulgação das culturas de língua portuguesa.

O choro, irmão mais velho do samba, é amado, tocado e celebrado não só em todo o Brasil, como também em muitos outros lugares do mundo. É um tipo de música que exige grande virtuosismo tanto nos instrumentos clássicos como na percussão e junta de forma harmoniosa amadores e músicos profissionais.

Munique tornar-se-á, pela quinta vez, a capital europeia do choro, ao apresentar um festival no centro cultural LUISE: haverá concertos, palestras, oficinas para adultos e crianças, rodas de choro e comida brasileira.

Vamos celebrar a música e a cultura do choro tanto com artistas do Brasil como com talentos locais do choro. Os curadores do festival são Marcio Schuster e Luís Maria Hölzl, ambos músicos profissionais, um brasileiro e o outro luso-alemão, de Munique.

CALENDÁRIO DO FESTIVAL

SEXTA-FEIRA, 20 de FEVEREIRO

14-16:30 hrs: Ensaio de Bandão (choro-orquestra) com Elizabeth Fadel

Elizabeth Fadel, natural de Curitiba, Brasil, pianista clássica, cravista e compositora, multi-instrumentista, musicoterapeuta, também se destaca pelas suas apresentações de tango, rock, música brasileira e latino-americana. Ela vive há alguns anos na Holanda, leciona, faz digressões e grava álbuns na Europa e no Brasil. Mais informações: https://elizabethfadel.com/bio-en

16:30-17:30 hrs: Roda de Choro didática com Flávio Nunes

Flávio Nunes, de São Paulo, combina no violão de 7 cordas e no cavaquinho samba de raiz, choro, MPB, forró, bossa nova, blues, reggae e jazz manouche com virtuosa precisão e muita paixão. Há mais de 25 anos que Flávio transmite sua experiência e seu entusiasmo aos alunos e acompanha, em aulas personalizadas, crianças e adultos em seus caminhos musicais. Mais informações: https://de.flavionunes.com/

18 hrs: Concerto de abertura Casa das Flores com Elizabeth Fadel e Floor Polder seguido de roda de choro

Floor Polder (flauta) e Elizabeth Fadel (piano e acordeão) formam uma dupla que conduz o público a uma viagem musical, na qual sons brasileiros, improvisações de jazz e influências clássicas se fundem com muita leveza. O título do seu EP, Casa das Flores, refere-se à casa em Roterdão onde elas moravam juntas. Essa casa, visitada por muitos músicos e amigos brasileiros, tornou-se o centro pulsante de inúmeras jam sessions e encontros musicais e inspirou as duas artistas a criar uma sonoridade inconfundível, viva, espontânea e apaixonada.

Floor Polder, nascida em Haia, flautista e compositora, viveu mais de cinco anos no Brasil, onde desenvolveu uma profunda ligação com a rica cultura musical do país. Estudou flauta em Roterdão e formou-se em música latino-americana. Mais informações: https://floorpolder.com/

SÁBADO, 21 de FEVEREIRO

9-12 hrs: Oficinas com Flávio Nunes, guitarra de 7 cordas, (guitarra e instrumentos harmónicos), João Araújo, pandeiro, (percussão e pandeiro), Anais Pasanau Miró, instrumentos melódicos

João Araújo, compositor e percussionista, incansável embaixador do choro e do pandeiro em particular, forma com Abdallah Harati o Caiana Duo, expoente do choro em Munique. Além de projetos literários, ele publicou um livro didático sobre o pandeiro. Mais informações: https://poetajoao.com/

Anais Pasanau Miró, clarinetista com formação clássica, sempre ativa na música de câmara e aberta a diversos projetos, fundou o quarteto de clarinetes e cordas Vilart Ensemble em Espanha e o trio musical brasileiro Mondo Chôro na Alemanha. Ela mora em Colónia desde 2018 e se apresenta regularmente com seus próprios projetos, bem como com a Orquestra Filarmónica Clássica de Bona e a Orquestra de Câmara Folkwang. Mais informações: https://anaispasanaumiro.de/

13:30-15:30 hrs: Ensaio de Bandão

15:30-17 hrs: Oficina de improvisação / composição com Floor Polder

17 hrs: Concerto com o Duo Batucalina

“Batucalina” é composto do verbo “batucar” e das duas últimas sílabas de violino, no feminino. A combinação exótica de violino e percussão cria uma experiência sonora única, rica em cores e ritmos.

Priscila Baggio Simeoni (violino)
Cris Gavazzoni (percussão)

Mais informações: https://www.batucalina.de/

19 hrs: Concerto com Mondo Chôro

O quarteto Mondo Chôro é composto pelo alemão Carl Zinsius, na percussão, a espanhola Anais Pasanau Miró no clarinete e os brasileiros, Flávio Nunes na guitarra de 7 cordas, e Henrique Gomide no piano. Tendo formação em jazz, música clássica e choros contemporâneos o quarteto interpreta de uma forma única e refrescante as suas peças, interagindo e comunicando com o público. Na primavera de 2025 o Mondo Chôro recebeu o prémio Jazz Slam da Philharmonie Essen.

Anais Pasanau Miró (clarinete)
Henrique Gomide (piano)
Flávio Nunes (guitarra)
Carl Zinsius (percussão)

Mais informações: https://mondochoro.de

DOMINGO, 22 de FEVEREIRO

9-10:30 hrs: Ensaio de Bandão

10:30-12 hrs: Oficina de improvisação/composição com Floor Polder

12 hrs: Concerto ao meio-dia com Bavaschôro

A banda Bavaschôro trouxe o choro para a Baviera. Uma amálgama de textos bávaros e citações de grande comicidade se entrelaçam com choros brasileiros canónicos. A sonoridade específica deste grupo se ancora na interpretação em instrumentos atípicos do choro, como trompa, guitarra portuguesa, flugelhorn e tuba.

Henrique de Miranda Rebouças (guitarra de 7 cordas)
Ludwig Himpsl (trompa, tuba, percussão/pandeiro)
Xaver Himpsl (trompete, flugelhorn)
Luís Maria Hölzl (guitarra portuguesa, cavaquinho, violino)

Mais informações: https://bavaschoro.de/

13:30 hrs: Apresentação do Bandão, seguida de roda de choro

Com sua performance os participantes vão demonstrar que é possível um grupo de músicos de grande diversidade criar em três dias o som do Bandão!

A apresentação é seguida por mais uma emocionante roda de choro.

Haverá também especialidades brasileiras, preparadas pela Pretalee e suas delícias.

17 hrs: Concerto final com o coro Cantares

Cantares é um coro composto por muitas pessoas que amam a música brasileira e são apaixonadas pelo som do português. Sob a direção de Lilian Zamorano, o coro interpreta principalmente o repertório da Música Popular Brasileira (MPB). Do samba à bossa nova e ao forró, são apresentados arranjos especiais com harmonias e ritmos refinados. Além do canto a capella, o coro também utiliza percussão corporal e músicos acompanhantes. Em maio de 2025, o Cantares comemorou seu 30º aniversário com um grande concerto no Gasteig HP8.

Mais informações: https://cantares.de/