Considerando que mais de 240 milhões de pessoas falam português em todo o mundo, em mais de uma dúzia de países em quatro continentes, podemos imaginar como são ricas e diversificadas as literaturas do mundo da lusofonia. De imediato, vêm-nos à cabeça nomes sonoros como Fernando Pessoa, Clarice Lispector, José Saramago ou Mia Couto. Mas haverá mais autores e autoras por descobrir? Que livros de escritores e escritoras que escrevem em português foram publicados recentemente em alemão? E como se expressa a herança colonial nas literaturas lusófonas?

Luísa Costa Hölzl e Wanda Jakob apresentam obras traduzidas para o alemão, tanto de autores canónicos como de novas vozes, e algumas redescobertas. Destacam o papel fundamental dos tradutores como mediadores e agentes culturais, bem como o trabalho de associações culturais como a Lusofonia e.V., que se dedicam à divulgação das culturas de língua portuguesa.

O choro, irmão mais velho do samba, é amado, tocado e celebrado não só em todo o Brasil, como também em muitos outros lugares do mundo. É um tipo de música que exige grande virtuosismo tanto nos instrumentos clássicos como na percussão e junta de forma harmoniosa amadores e músicos profissionais.

Munique tornar-se-á, pela quinta vez, a capital europeia do choro, ao apresentar um festival no centro cultural LUISE: haverá concertos, palestras, oficinas para adultos e crianças, rodas de choro e comida brasileira.

Vamos celebrar a música e a cultura do choro tanto com artistas do Brasil como com talentos locais do choro. Os curadores do festival são Marcio Schuster e Luís Maria Hölzl, ambos músicos profissionais, um brasileiro e o outro luso-alemão, de Munique.

CALENDÁRIO DO FESTIVAL

SEXTA-FEIRA, 20 de FEVEREIRO

14-16:30 hrs: Ensaio de Bandão (choro-orquestra) com Elizabeth Fadel

Elizabeth Fadel, natural de Curitiba, Brasil, pianista clássica, cravista e compositora, multi-instrumentista, musicoterapeuta, também se destaca pelas suas apresentações de tango, rock, música brasileira e latino-americana. Ela vive há alguns anos na Holanda, leciona, faz digressões e grava álbuns na Europa e no Brasil. Mais informações: https://elizabethfadel.com/bio-en

16:30-17:30 hrs: Roda de Choro didática com Flávio Nunes

Flávio Nunes, de São Paulo, combina no violão de 7 cordas e no cavaquinho samba de raiz, choro, MPB, forró, bossa nova, blues, reggae e jazz manouche com virtuosa precisão e muita paixão. Há mais de 25 anos que Flávio transmite sua experiência e seu entusiasmo aos alunos e acompanha, em aulas personalizadas, crianças e adultos em seus caminhos musicais. Mais informações: https://de.flavionunes.com/

18 hrs: Concerto de abertura Casa das Flores com Elizabeth Fadel e Floor Polder seguido de roda de choro

Floor Polder (flauta) e Elizabeth Fadel (piano e acordeão) formam uma dupla que conduz o público a uma viagem musical, na qual sons brasileiros, improvisações de jazz e influências clássicas se fundem com muita leveza. O título do seu EP, Casa das Flores, refere-se à casa em Roterdão onde elas moravam juntas. Essa casa, visitada por muitos músicos e amigos brasileiros, tornou-se o centro pulsante de inúmeras jam sessions e encontros musicais e inspirou as duas artistas a criar uma sonoridade inconfundível, viva, espontânea e apaixonada.

Floor Polder, nascida em Haia, flautista e compositora, viveu mais de cinco anos no Brasil, onde desenvolveu uma profunda ligação com a rica cultura musical do país. Estudou flauta em Roterdão e formou-se em música latino-americana. Mais informações: https://floorpolder.com/

SÁBADO, 21 de FEVEREIRO

9-12 hrs: Oficinas com Flávio Nunes, guitarra de 7 cordas, (guitarra e instrumentos harmónicos), João Araújo, pandeiro, (percussão e pandeiro), Anais Pasanau Miró, instrumentos melódicos

João Araújo, compositor e percussionista, incansável embaixador do choro e do pandeiro em particular, forma com Abdallah Harati o Caiana Duo, expoente do choro em Munique. Além de projetos literários, ele publicou um livro didático sobre o pandeiro. Mais informações: https://poetajoao.com/

Anais Pasanau Miró, clarinetista com formação clássica, sempre ativa na música de câmara e aberta a diversos projetos, fundou o quarteto de clarinetes e cordas Vilart Ensemble em Espanha e o trio musical brasileiro Mondo Chôro na Alemanha. Ela mora em Colónia desde 2018 e se apresenta regularmente com seus próprios projetos, bem como com a Orquestra Filarmónica Clássica de Bona e a Orquestra de Câmara Folkwang. Mais informações: https://anaispasanaumiro.de/

13:30-15:30 hrs: Ensaio de Bandão

15:30-17 hrs: Oficina de improvisação / composição com Floor Polder

17 hrs: Concerto com o Duo Batucalina

“Batucalina” é composto do verbo “batucar” e das duas últimas sílabas de violino, no feminino. A combinação exótica de violino e percussão cria uma experiência sonora única, rica em cores e ritmos.

Priscila Baggio Simeoni (violino)
Cris Gavazzoni (percussão)

Mais informações: https://www.batucalina.de/

19 hrs: Concerto com Mondo Chôro

O quarteto Mondo Chôro é composto pelo alemão Carl Zinsius, na percussão, a espanhola Anais Pasanau Miró no clarinete e os brasileiros, Flávio Nunes na guitarra de 7 cordas, e Henrique Gomide no piano. Tendo formação em jazz, música clássica e choros contemporâneos o quarteto interpreta de uma forma única e refrescante as suas peças, interagindo e comunicando com o público. Na primavera de 2025 o Mondo Chôro recebeu o prémio Jazz Slam da Philharmonie Essen.

Anais Pasanau Miró (clarinete)
Henrique Gomide (piano)
Flávio Nunes (guitarra)
Carl Zinsius (percussão)

Mais informações: https://mondochoro.de

DOMINGO, 22 de FEVEREIRO

9-10:30 hrs: Ensaio de Bandão

10:30-12 hrs: Oficina de improvisação/composição com Floor Polder

12 hrs: Concerto ao meio-dia com Bavaschôro

A banda Bavaschôro trouxe o choro para a Baviera. Uma amálgama de textos bávaros e citações de grande comicidade se entrelaçam com choros brasileiros canónicos. A sonoridade específica deste grupo se ancora na interpretação em instrumentos atípicos do choro, como trompa, guitarra portuguesa, flugelhorn e tuba.

Henrique de Miranda Rebouças (guitarra de 7 cordas)
Ludwig Himpsl (trompa, tuba, percussão/pandeiro)
Xaver Himpsl (trompete, flugelhorn)
Luís Maria Hölzl (guitarra portuguesa, cavaquinho, violino)

Mais informações: https://bavaschoro.de/

13:30 hrs: Apresentação do Bandão, seguida de roda de choro

Com sua performance os participantes vão demonstrar que é possível um grupo de músicos de grande diversidade criar em três dias o som do Bandão!

A apresentação é seguida por mais uma emocionante roda de choro.

Haverá também especialidades brasileiras, preparadas pela Pretalee e suas delícias.

17 hrs: Concerto final com o coro Cantares

Cantares é um coro composto por muitas pessoas que amam a música brasileira e são apaixonadas pelo som do português. Sob a direção de Lilian Zamorano, o coro interpreta principalmente o repertório da Música Popular Brasileira (MPB). Do samba à bossa nova e ao forró, são apresentados arranjos especiais com harmonias e ritmos refinados. Além do canto a capella, o coro também utiliza percussão corporal e músicos acompanhantes. Em maio de 2025, o Cantares comemorou seu 30º aniversário com um grande concerto no Gasteig HP8.

Mais informações: https://cantares.de/

“Queria um poema de respiração tensa // e sem pudor.” (Ana Luísa Amaral)

“A poetisa é a mulher-a-dias // arruma o poema // como arruma a casa” (Adília Lopes)

Neste serão vamos ouvir as vozes líricas de duas poetas portuguesas, Ana Luísa Amaral (1956-2022) e Adília Lopes (1960-2024). Além dos poemas haverá uma conversa com os tradutores Odile Kennel e Michael Kegler e o poeta brasileiro Eduardo Sterzi.

A obra completa de Ana Luísa Amaral foi publicada poucos meses antes da sua morte sob o título “O olhar diagonal das coisas”, enquanto Adília Lopes reuniu em 2024 os seus poemas de 1983 a 2023 sob o título “Dobra”, ambas as obras sob a chancela da conceituada editora Assírio&Alvim.

Para além de pertencerem à mesma geração, as poetas partilham uma atitude crítica em relação a uma cultura dominada pelo machismo, assim como a herança das tradições literárias e artísticas e uma abordagem agridoce e quase divertida das coisas do quotidiano.

O serão será introduzido e moderado por Luísa Costa Hölzl.

Ana Luísa Amaral, nascida em Lisboa em 1956, cresceu no Porto, onde viveu e foi professora universitária de literatura inglesa e americana. Além de pioneira nos estudos de género, publicou a partir de 1990 quase 20 volumes de poesia e também livros infantis e foi distinguida com vários prémios. Para além de alguns poemas em revistas, “Was ist ein Name” (Hanser Edition Lyrik Kabinett, 2021) apresenta em alemão, na tradução de Michael Kegler e Piero Salabè, poemas de várias épocas. Ana Luísa Amaral faleceu no Porto em 2022.

Adília Lopes (pseudónimo de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira) nasceu em Lisboa em 1960 e aí faleceu a 30 de dezembro de 2024. Estudou literatura e linguística portuguesa e francesa na Universidade de Lisboa e estreou-se em 1985 com o seu primeiro volume de poesia, a que se seguiram cerca de 40 outras publicações ao longo da sua vida. “Clube da poetisa morta” foi publicado em 2001 em tradução alemã, além de alguns outros poemas em revistas e online.

Odile Kennel, poeta e tradutora franco-alemã, escreve em alemão e francês e gosta de meter outras línguas na sua escrita. Traduz para alemão poesia contemporânea de francês, português, espanhol e inglês.  Em 2022, foi-lhe atribuído o Prémio Paul Scheerbart pelas suas traduções de poesia. O seu livro de poemas irgendetwas dazwischen (editora Verlagshaus Berlin 2023) recebeu o Prémio Dörlemann da Hotlist of Independent Publishers.

Michael Kegler nasceu em Giessen em 1967 e passou parte da sua infância na Libéria e no Brasil. Trabalhou como livreiro e jornalista e, desde o final da década de 1990, tem vindo a traduzir do português, em suas múltiplas variantes. Em 2014, recebeu o Prémio de Tradução Straelen e em 2016, juntamente com o autor brasileiro Luiz Ruffato, que traduz, o Prémio Hermann Hesse da cidade de Calw.

Eduardo Sterzi, nascido em 1973 em Porto Alegre, Brasil, é poeta, jornalista e professor de teoria literária na Universidade Estadual de Campinas. Entre suas publicações estão obras ensaísticas Por que ler Dante (2008) ou A prova dos nove: alguma poesia moderna e a tarefa da alegria (2008), além de coletâneas de poesia como Aleijão (2009), Cavalo sopa martelo (2011) e Maus poemas (2016).

Luísa Costa Hölzl, nascida em Lisboa em 1956, vive em Munique, onde se dedica à promoção das culturas e literaturas lusófonas. Editora de antologias literárias, publicista e professora de português (Universidade de Munique, Universidade Popular de Munique).

Bavaschôro de Munique realiza a fusão de gêneros musicais brasileiros com a música da Baviera. Os quatro músicos profissionais, provindos de vários gêneros e diferentes tradições musicais, apresentam o choro, música brasileira de barzinho, fusão entre ritmos africanos e as polcas. Com Bavaschôro esta mescla charmosa e leve retorna à Europa e é apimentada com música folclórica bávara, interpretada em instrumentos atípicos do choro como trompa, guitarra portuguesa ou tuba e acrescentada de novos arranjos.

A sonoridade da banda se encontra com a voz única e a brilhante presença de Dandara Modesto. A cantora, performer e produtora musical reflete uma música brasileira contemporânea com raízes na tradição dos ritmos afro-brasileiros. Ao longo de sua carreira tem participado em diversos projetos nas áreas de música, dança, teatro, artes visuais e performance, no Brasil e na Europa. Dandara produziu, compôs e dirigiu trilhas sonoras para filmes e performances. No seu álbum “Estrangeira” (2022) canta sobre o corpo feminino em movimento, a migração, o poder de ser diferente e a ancestralidade. Gravou seu último disco “Trinka” em 2024. A artista paulistana vive em Zurique.

Com:
Dandara Modesto (voz)
Ludwig Himpsl (percussão/pandeiro, trompa, tuba)
Xaver Himpsl (fliscorne, trompete, trompete piccolo)
Luís Maria Hölzl (violino, guitarra portuguesa, cavaquinho)
Henrique de Miranda Rebouças (violão de 7 cordas)

Mais de Dandara Modesto
Instagram: https://www.instagram.com/dandaramodesto/
Trinka no Instagram: https://www.instagram.com/trinkamusic/?hl=de
Vídeos: https://www.youtube.com/c/DandaraModesto

Mais de Bavaschôro
Website: www.bavaschoro.de
Facebook: https://www.facebook.com/bavaschoro

Vídeos: https://www.youtube.com/channel/UCrKqEbKf1NfQiLC-Y_x9EtQ

Die Sängerin, Songwriterin und Aktivistin Bia Ferreira ist eine der Offenbarungen der zeitgenössischen brasilianischen Musik. Sie wurde 1993 in Minas Gerais geboren und wuchs in Alagoas, Sergipe, auf. Als Tochter einer traditionell evangelikalen Familie machte sie ihre ersten musikalischen Erfahrungen in der Kirche, und seit sie 15 ist, macht sie Musik.

In ihren scharfen, queer-feministischen Texten bezieht sie Stellung gegen rassistische Vorurteile, ihre Musik nennt sie MMP: Música de Mulher Preta (Musik Schwarzer Frauen). So nutzt Bia Ferreira ihre Kunst, um über strukturellen Rassismus aufzuklären und das Bewusstsein für Diskriminierung gegen die LGBTQIA+-Bewegung und alle anderen Arten von Diskriminierung zu schärfen.

In ihrer Musik verbindet die Multiinstrumentalistin afrodiasporische Rhythmen wie Soul, Rhythm & Blues, Reggae und Rap mit brasilianischer Musik wie Samba und Repente. Im Jahr 2018 tourte sie zum ersten Mal durch Europa. Nach mehreren erfolgreichen Singles veröffentlichte sie 2019 ihr Debütalbum Igreja LisbeterianaI, gefolgt von Faminta im Jahr 2022.

Die Konzerte mit ihrem Trio sind bekannt für ihre große Intensität, die Einbeziehung des Publikums und ihre emotionale Wirkung. Bia Ferreira hinterlässt bleibende Eindrücke, wo immer sie auftritt, mit einem kraftvollen Sound, facettenreicher Stimme und starkem politischen Plädoyer: Nein zu jeder Form von Diskriminierung und Ja zur Liebe!


Eröffnungsact Kokonelle, Waseem, Taiga Trece & Malcom R:
Urbane Musik aus München mit der Sängerin und MC Kokonelle (Kongo), die Rap, RnB, Afro und Soul mit reflektierten Reimen mixt, sowie mit den HipHop-Künstler*innen Waseem, Taiga Trece, und Malcolm R, deren Wurzeln in Ägypten, Mexiko und in Chile liegen. Globale Musik & Empowerment treffen auf verschiedene Geschichten, Perspektiven und Sprachen – gemeinsam engagiert sich das Quartett für Peace, Love & Unity.“

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