Céu se descobriu como compositora durante uma passagem pelo Lower East Side de Nova Iorque. Começou sua carreira em 2005 com sua mistura poética de samba, trip-hop e eletrônica. Ganhou uma nomeação para os Grammy americanos, pouco tempo depois de ter alterado a cena em seu próprio país como líder de uma nova geração de cantoras que escrevem suas próprias canções.

Em 2023, Céu regressou aos EUA, desta vez à Costa Oeste, onde concebeu Novela, seu sexto álbum, lançado em abril de 2024.
Desde o início, a artista paulistana fez turnês internacionais e tocou ao vivo em quatro continentes, incluindo os mais importantes festivais brasileiros, como o Rock in Rio e o Lollapalooza (BRA), além do Montreal Jazz Festival (CH), North Sea Jazz (NL), Coachella (EUA), Roskilde (DK), Jazzopen e Rudolstadt (DE). Seus álbuns valeram-lhe três Grammys Latinos, bem como vários prêmios brasileiros. Em todo mundo, as composições de Céu deram também entrada em filmes, séries de TV e comerciais.  

Há um ano foi inaugurada auspiciosamente a série “Grandes Autores Brasileiros”, idealizada pelo diplomata e escritor João Almino. Ela faz parte da Coleção Cultura e Diplomacia da Fundação Alexandre de Gusmão FUNAG, em parceria com o Instituto Guimarães Rosa, e reúne reflexões de renomados intelectuais contemporâneos sobre clássicos da literatura brasileira.

Dos 12 ensaios, bilingues (português / alemão) e acessíveis, publicados até ao momento, quatro já foram apresentados. Desta vez começamos com Gonçalves Dias e a sua Canção do Exílio, que lança as bases para a questão da identidade brasileira, e continuamos com Lima Barreto, o escritor “militante e esquecido” (ensaio de Lilia Moritz Schwarcz). Modernismos em transe é dedicado a figuras-chave dessa época, tendo como contra imagem a obra de Graciliano Ramos, um progressista conservador nas palavras de Luiz Ruffato. A apresentação se encerra com quatro autoras do século XX: Rachel de Queiroz, Carolina de Jesus, Clarice Lispector e Hilda Hilst, hoje consolidadas no cânone literário brasileiro graças a uma crítica atenta.

Luísa Costa Hölzl apresenta a série e lê alguns trechos das obras abordadas.

O passeio literário será acompanhado por Abdallah Harati (violão) e Márcio Schuster (saxofone), dois grandes músicos brasileiros baseados em Munique.

Durante toda sua vida Clarice Lispector (1920-1977) escreveu para jornais, inclusive para o Jornal do Brasil, à época principal órgão da imprensa do país. Famosa por seus romances e contos expressivos que revelam os sentimentos mais recônditos do foro íntimo de suas figuras, Clarice escreve sobre seu cotidiano numa crónica semanal, onde transforma experiências e lembranças pessoais em pequenos episódios comoventes e cheios de humor. Aí reflete também sobre a própria escrita e compartilha suas experiências de leitura, além de fazer referências para a arte e música de seu tempo. Dessa forma, a visão muito própria, alegre e lúdica de Lispector sobre a condição humana, deu origem a verdadeiras joias do saber.

Para o volume „Wofür ich mein Leben gebe: Kolumnen 1946-1977“, o tradutor de seus romances e contos, Luis Ruby, selecionou e traduziu as crônicas mais divertidas e sagazes.

Apresentadas por Luis Ruby, lidas por Luis Ruby e Wanda Jakob, acompanhadas à guitarra clássica por Pedro Aguiar e deliciosamente servidas pela equipa do restaurante La Favela no Bahnwärter Thiel, as crônicas prometem um agradável serão de início de verão!

Clarice Lispector nasceu em 1920 de pais judeus na Ucrânia e cresceu no Nordeste brasileiro. Estudou Direito, trabalhou como professora e jornalista e levou uma vida glamorosa e rebelde como esposa de diplomata e, mais tarde, como mãe divorciada. Seu primeiro e aclamado romance Perto do coração selvagem (1944) quebrou todas as regras convencionais da escrita. Lispector morreu no Rio de Janeiro em 1977, com apenas 56 anos.

Luis Ruby, nascido em Munique em 1970, traduz do português, do espanhol e do italiano, como Clarice Lispector ou Niccolò Ammaniti, Isaac Rosa e Hernán Ronsino. O seu trabalho tem sido distinguido, por exemplo com o Prémio de Arte da Baviera ou a Bolsa de Literatura da cidade de Munique.

Pedro Aguiar, nascido em Brasília, em 1990, estudou no Brasil, nos EUA, em França e na Alemanha. De 2013 a 2018, leccionou na Universidade de Música e Teatro de Munique. O seu trabalho tem sido distinguido com vários prémios internacionais, incluindo o prestigiado Concurso de Guitarra de Alhambra. O seu CD de estreia “Brazilian Guitar Music” foi lançado pela Naxos em 2020.

Dandara Modesto é uma artista brasileira que trabalha em várias disciplinas. A cantora, performer e produtora musical reflete uma música brasileira contemporânea com raízes na tradição dos ritmos afro-brasileiros. Ao longo de sua carreira tem participado em diversos projetos nas áreas de música, dança, teatro, artes visuais e performance, no Brasil e na Europa. Dandara produziu, compôs e dirigiu trilhas sonoras para filmes e performances, incluindo “Movimento III_Celebration, post tsunami foams” (Mario Lopes), “Afrotranstopia” (Mario Lopes, David Muñoz, Mahal Pita), “Neon Bush Girl Society” (Latefa Wirsch, Rhoda Davis).

Gravou o seu álbum de estreia “Dois Tempos de Um Lugar” com Paulo Monarco, lançado em 2016. No seu álbum “Estrangeira” (2022), que gravou na Suíça, Portugal, Galiza e Brasil, canta sobre o corpo feminino em movimento, a migração, o poder de ser diferente e a ancestralidade. Recebeu o Swiss Performance Award pela sua performance “Neon Bush Girl Society”. A peça “Die Schwarzen Brüder”, dirigida por Mbene Mwambene e baseada num romance de Lisa Tetzner, está atualmente em exibição em Basileia, sendo Dandara responsável por composição e pela direção musical. A artista vive em Zurique.

Edwin Correia, guitarrista e compositor franco-brasileiro, apaixonado pelo cruzamento musical, transcende as fronteiras estéticas.
Descobriu o jazz ainda muito jovem e mergulhou na música improvisada e no blues. Suas origens brasileiras lhe deram a oportunidade de mergulhar nas culturas populares de Pernambuco. A composição surgiu naturalmente para ele como uma expressão de seu universo pessoal, tingida de blues, da música tradicional do Nordeste brasileiro e da herança do jazz.  Gravou seu primeiro disco, “Brilhante” (2022), em trio com Matyas Szandai (contrabaixo) e François Christe (bateria). Tocou também com Dandara Modesto, Los Duendes, King Louis Swing, Tinka, 10 seconds to Lift-Off e a cantora La Chica.

Mais sobre Edwin Correia: http://edwincorreia.com/

Como antevisão do concerto, aqui um vídeo da colaboração entre Dandara Modesto e Edwin Correia, live @ Kitchen Session: https://www.youtube.com/watch?v=YPuJMtD5QEo

CALENDÁRIO DO FESTIVAL

Quinta-feira, 15 de fevereiro, 19 hrs:
Concerto com Caiana Duo e Bavaschôro
O concerto de abertura vai prolongar o Carnaval! O Duo Caiana e o Bavaschôro são a essência do choro em Munique. João Araújo (pandeiro) e Abdallah Harati (violão de 7 cordas) transportam a tradição brasileira para o exterior e, como chorões apaixonados, organizam a “Roda de Choro de Munique”. O grupo Bavaschôro, por sua vez, rompe com muitas tradições e traz o choro para solo bávaro. O som próprio desta banda cruza habilmente reputados choros brasileiros com letras e citações de peças da Baviera, e interpreta estas composições em instrumentos atípicos do choro, como a corneta, a guitarra portuguesa, o filicorne e a tuba. A abertura de festival é dedicada aos verdadeiros amantes do choro e vai, certamente, ganhar novos adeptos.
Com: João Araújo (pandeiro), Abdallah Harati (violão de 7 cordas), Henrique de Miranda Rebouças (violão de 7 cordas), Ludwig Himpsl (corneta, tuba, percussão / pandeiro), Xaver Himpsl (trompete, filicorne), Luís Maria Hölzl (guitarra portuguesa, cavaquinho, violino)
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Sexta-feira, 16 de fevereiro, das 9 às 12hrs:
Três oficinas instrumentais
Instrumentos de guitarra/melodia/percussão
Com: Abdallah Harati (guitarra), Cris Gavazzoni (percussão), Marcio Schuster (saxofone)

13:30 às 16:30hrs:
Bandão (orquestra de choro) com Sérgio Albach
Esta oficina ensina a tocar em conjunto. Uma experiência musical maravilhosa para todo o tipo de grupos instrumentais.

17hrs:
Concerto com Marcio Schuster (saxofone/eletrônica)
O saxofonista Marcio Schuster apresenta um incomparável concerto solo. O saxofone se funde com elementos electrónicos que harmonizam com a música brasileira, especialmente com o choro.
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18:30hrs:
Concerto com Sérgio Albach (clarinete, clarinete baixo) e Henrique de Miranda Rebouças (violão 7 cordas)
O talentoso Sérgio Albach, virtuoso do clarinete, participa pela primeira vez no Festival de Chôro de Munique. Sérgio não só dará uma grandiosa oficina masterclass para bandão – a orquestra para choro – mas também apresentará um concerto de tirar o fôlego. A sua impressionante carreira musical, o seu compromisso com a música brasileira, especialmente com o choro, e a sua vasta colaboração com artistas de renome fazem dele um dos destaques do festival. Acompanha o clarinetista o violão de Henrique de Miranda Rebouças, artista de Munique.
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20hrs:
Concerto com Batucalina
“Batucalina” é composto do verbo “batucar” e das duas últimas sílabas de violino, no feminino. A combinação exótica de violino e percussão cria uma experiência sonora única, rica em cores e ritmos.
Com: Priscila Baggio Simeoni (violino), Cris Gavazzoni (percussão)
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Sábado, 17 de fevereiro, das 9 às 12hrs:
Três oficinas instrumentais
Instrumentos de guitarra/melodia/percussão
Com: Abdallah Harati (guitarra), Cris Gavazzoni (percussão), Marcio Schuster (saxofone)

13:30 às 16:30hrs:
Bandão (orquestra de choro) com Sérgio Albach
Esta oficina ensina a tocar em conjunto. Uma experiência musical maravilhosa para todo o tipo de grupos instrumentais.

17hrs:
Concerto com Pedro Aguiar (violão)
O excecional guitarrista Pedro Aguiar toca choro na guitarra clássica. Pedro Aguiar ganhou vários concursos, incluindo o concurso internacional de guitarra Alhambra. Para além dos seus compromissos como solista, é muito solicitado como parceiro de música de câmara e docente.
Mais sobre Pedro Aguiar

19hrs:
Choro Tuiuiú
O quinteto de Nuremberg apresenta uma das formas mais originais desta música com flauta transversal, clarinete, bandolim, violão de sete cordas e percussão (pandeiro). Os cinco músicos evocam em palco os sons dos bares e botecos do Rio de Janeiro. Chorinho no seu melhor.
Com: Aron Hantke (pandeiro), João Lucas Moreira (bandolim), Marie-Kristin Burger (flauta), Marcus Milian (violão de 7 cordas), Lars Groeneveld (clarinete)
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Domingo, 18 de fevereiro, 11hrs: 
Concerto com Saideira e Amigos
Os músicos são membros fiéis das Rodas de Choro de Munique, nossos Chorões Bávaros.
Com: Claudia Góndola-Hackl (flauta), Andrea Breyer Bartsch (violão de 7 cordas), Hans Erdt (violão e melódica), Georg Wiedmann (pandeiro e percussão), Hermann Kehrer (cavaquinho e bandolim), Pit Weininger (bandolim)

12 hrs:
Apresentação do Bandão (orquestra de choro)

Em seguida:
Roda de Choro e Caldo de Feijão
No final, uma roda de choro para todos com comes e bebes!