A poeta brasileira Ana Martins Marques usa de parcimónia nos seus poemas. Com apenas algumas pinceladas a sua lírica revela aspetos do cotidiano, descreve situações ou objetos, aquilo que observa parece querer apontar para mais além e explorar um interior. São poemas de vários anos que aqui são compilados em quatro grupos: sobre a morte, o amor, a língua e o fumar.
Michael Kegler vai ler poemas por ele traduzidos para alemão do livro »Risque esta palavra« da poeta brasileira Ana Martins Marques, publicado recentemente, e conversar com o editor Martin Pflanzer da editora Hagebutte sobre o seu trabalho de tradução. O evento será em alemão com leitura de alguns excertos em português e acompanhado por bossa nova que o trio Martin Lickleder, Claudia Kaiser e Ralf Nickolaus irá apresentar – em alemão.
Mais informações sobre o livro aqui: https://hagebutte-verlag.de/ana-martins-marques-streich-dieses-wort-risque-esta-palavra/
Ana Martins Marques nasceu em 1977 em Belo Horizonte, Brasil. Graduada em letras, tem doutorado em literatura comparada. É uma das mais prestigiadas poetas brasileiras da atualidade, as suas obras têm recebido vários prêmios e tem vindo a adquirir reconhecimento internacional.
Michael Kegler, nasceu 1967 em Gießen e cresceu perto de Belo Horizonte, desde os anos 90 que traduz literatura lusófona para o alemão. Entre outros recebeu o prêmio de tradução Straelener da Fundação de Arte de Renânia do Norte-Vestefália. Para além de Ana Martins Marques tem traduzido nos últimos anos poemas de Ana Luísa Amaral, Hélia Correia, Al Berto e Yara Nakahanda Monteiro.
Ralf Nickolaus (banjo), Claudia Kaiser (guitarra e voz) e Martin Lickleder (violino) não só partilham a paixão pela bossa nova (que traduzem alegremente para alemão), como também desenvolvem grande atividade em várias bandas muito para além das fronteiras de Munique: por exemplo em A Million Mercies ou em The Sound of Money e, por vezes, também como orquestra de bluegrass (ainda sem nome). Cada um deles segue o seu próprio caminho em diversos grupos como Oktober Folk Club (Lickleder) ou The Royal Flares (Kaiser).
Céu se descobriu como compositora durante uma passagem pelo Lower East Side de Nova Iorque. Começou sua carreira em 2005 com sua mistura poética de samba, trip-hop e eletrônica. Ganhou uma nomeação para os Grammy americanos, pouco tempo depois de ter alterado a cena em seu próprio país como líder de uma nova geração de cantoras que escrevem suas próprias canções.
Em 2023, Céu regressou aos EUA, desta vez à Costa Oeste, onde concebeu Novela, seu sexto álbum, lançado em abril de 2024.
Desde o início, a artista paulistana fez turnês internacionais e tocou ao vivo em quatro continentes, incluindo os mais importantes festivais brasileiros, como o Rock in Rio e o Lollapalooza (BRA), além do Montreal Jazz Festival (CH), North Sea Jazz (NL), Coachella (EUA), Roskilde (DK), Jazzopen e Rudolstadt (DE). Seus álbuns valeram-lhe três Grammys Latinos, bem como vários prêmios brasileiros. Em todo mundo, as composições de Céu deram também entrada em filmes, séries de TV e comerciais.
Há um ano foi inaugurada auspiciosamente a série “Grandes Autores Brasileiros”, idealizada pelo diplomata e escritor João Almino. Ela faz parte da Coleção Cultura e Diplomacia da Fundação Alexandre de Gusmão – FUNAG, em parceria com o Instituto Guimarães Rosa, e reúne reflexões de renomados intelectuais contemporâneos sobre clássicos da literatura brasileira.
Dos 12 ensaios, bilingues (português / alemão) e acessíveis, publicados até ao momento, quatro já foram apresentados. Desta vez começamos com Gonçalves Dias e a sua Canção do Exílio, que lança as bases para a questão da identidade brasileira, e continuamos com Lima Barreto, o escritor “militante e esquecido” (ensaio de Lilia Moritz Schwarcz). Modernismos em transe é dedicado a figuras-chave dessa época, tendo como contra imagem a obra de Graciliano Ramos, um progressista conservador nas palavras de Luiz Ruffato. A apresentação se encerra com quatro autoras do século XX: Rachel de Queiroz, Carolina de Jesus, Clarice Lispector e Hilda Hilst, hoje consolidadas no cânone literário brasileiro graças a uma crítica atenta.
Luísa Costa Hölzl apresenta a série e lê alguns trechos das obras abordadas.
O passeio literário será acompanhado por Abdallah Harati (violão) e Márcio Schuster (saxofone), dois grandes músicos brasileiros baseados em Munique.
Durante toda sua vida Clarice Lispector (1920-1977) escreveu para jornais, inclusive para o Jornal do Brasil, à época principal órgão da imprensa do país. Famosa por seus romances e contos expressivos que revelam os sentimentos mais recônditos do foro íntimo de suas figuras, Clarice escreve sobre seu cotidiano numa crónica semanal, onde transforma experiências e lembranças pessoais em pequenos episódios comoventes e cheios de humor. Aí reflete também sobre a própria escrita e compartilha suas experiências de leitura, além de fazer referências para a arte e música de seu tempo. Dessa forma, a visão muito própria, alegre e lúdica de Lispector sobre a condição humana, deu origem a verdadeiras joias do saber.
Para o volume „Wofür ich mein Leben gebe: Kolumnen 1946-1977“, o tradutor de seus romances e contos, Luis Ruby, selecionou e traduziu as crônicas mais divertidas e sagazes.
Apresentadas por Luis Ruby, lidas por Luis Ruby e Wanda Jakob, acompanhadas à guitarra clássica por Pedro Aguiar e deliciosamente servidas pela equipa do restaurante La Favela no Bahnwärter Thiel, as crônicas prometem um agradável serão de início de verão!
Clarice Lispector nasceu em 1920 de pais judeus na Ucrânia e cresceu no Nordeste brasileiro. Estudou Direito, trabalhou como professora e jornalista e levou uma vida glamorosa e rebelde como esposa de diplomata e, mais tarde, como mãe divorciada. Seu primeiro e aclamado romance Perto do coração selvagem (1944) quebrou todas as regras convencionais da escrita. Lispector morreu no Rio de Janeiro em 1977, com apenas 56 anos.
Luis Ruby, nascido em Munique em 1970, traduz do português, do espanhol e do italiano, como Clarice Lispector ou Niccolò Ammaniti, Isaac Rosa e Hernán Ronsino. O seu trabalho tem sido distinguido, por exemplo com o Prémio de Arte da Baviera ou a Bolsa de Literatura da cidade de Munique.
Pedro Aguiar, nascido em Brasília, em 1990, estudou no Brasil, nos EUA, em França e na Alemanha. De 2013 a 2018, leccionou na Universidade de Música e Teatro de Munique. O seu trabalho tem sido distinguido com vários prémios internacionais, incluindo o prestigiado Concurso de Guitarra de Alhambra. O seu CD de estreia “Brazilian Guitar Music” foi lançado pela Naxos em 2020.
Dandara Modesto é uma artista brasileira que trabalha em várias disciplinas. A cantora, performer e produtora musical reflete uma música brasileira contemporânea com raízes na tradição dos ritmos afro-brasileiros. Ao longo de sua carreira tem participado em diversos projetos nas áreas de música, dança, teatro, artes visuais e performance, no Brasil e na Europa. Dandara produziu, compôs e dirigiu trilhas sonoras para filmes e performances, incluindo “Movimento III_Celebration, post tsunami foams” (Mario Lopes), “Afrotranstopia” (Mario Lopes, David Muñoz, Mahal Pita), “Neon Bush Girl Society” (Latefa Wirsch, Rhoda Davis).
Gravou o seu álbum de estreia “Dois Tempos de Um Lugar” com Paulo Monarco, lançado em 2016. No seu álbum “Estrangeira” (2022), que gravou na Suíça, Portugal, Galiza e Brasil, canta sobre o corpo feminino em movimento, a migração, o poder de ser diferente e a ancestralidade. Recebeu o Swiss Performance Award pela sua performance “Neon Bush Girl Society”. A peça “Die Schwarzen Brüder”, dirigida por Mbene Mwambene e baseada num romance de Lisa Tetzner, está atualmente em exibição em Basileia, sendo Dandara responsável por composição e pela direção musical. A artista vive em Zurique.
Edwin Correia, guitarrista e compositor franco-brasileiro, apaixonado pelo cruzamento musical, transcende as fronteiras estéticas.
Descobriu o jazz ainda muito jovem e mergulhou na música improvisada e no blues. Suas origens brasileiras lhe deram a oportunidade de mergulhar nas culturas populares de Pernambuco. A composição surgiu naturalmente para ele como uma expressão de seu universo pessoal, tingida de blues, da música tradicional do Nordeste brasileiro e da herança do jazz. Gravou seu primeiro disco, “Brilhante” (2022), em trio com Matyas Szandai (contrabaixo) e François Christe (bateria). Tocou também com Dandara Modesto, Los Duendes, King Louis Swing, Tinka, 10 seconds to Lift-Off e a cantora La Chica.
Mais sobre Edwin Correia: http://edwincorreia.com/
Como antevisão do concerto, aqui um vídeo da colaboração entre Dandara Modesto e Edwin Correia, live @ Kitchen Session: https://www.youtube.com/watch?v=YPuJMtD5QEo