Desde que Lula da Silva assumiu a Presidência no lugar de Jaír Bolsonaro, no início de 2023, a democracia parece ter se fortalecido novamente no Brasil. Mas a influência da extrema-direita na política e na sociedade continua forte, limitando as conquistas democráticas e e prosseguindo a agenda de violência antifeminista, racista e exacerbadora da desigualdade social. E, por princípio, a direita subordina as preocupações ecológicas aos interesses econômicos. Que atores se opõem então à extrema-direita no Brasil? Onde as forças democráticas conseguiram se consolidar? E quais grupos e conquistas sociais, por outro lado, continuam ameaçados?

A perda de confiança na política não é um problema apenas do Brasil, pois também pode ser observada internacionalmente, assim como a ascensão dos atores de direita nas redes sociais. Que semelhanças podem ser detectadas entre a maior democracia da América do Sul e a Europa? E que papel desempenham efetivamente as muitas empresas alemãs que apoiam o poderoso agronegócio brasileiro? O que podemos aprender uns com os outros para defender a democracia com soluções progressistas?

Biancka Arruda Miranda e Niklas Franzen querem discutir isso com o público.

Biancka Arruda Miranda é cientista política, ativista ambiental e de direitos humanos e presidente da KoBra Kooperation Brasilien e.V., Munique, e da Commit e.V..

Niklas Franzen é jornalista e especialista em temas ligados ao Brasil. Viveu durante vários anos em São Paulo, onde trabalhou como correspondente para vários jornais e revistas. Em maio de 2022 foi publicado o seu livro “Brasil acima de tudo. Bolsonaro e a revolta da direita” (Associação A, Berlim).

Com mais de quinze anos de carreira, a cantora e compositora brasileira Céu é considerada uma das artistas brasileiras mais influentes e importantes deste século e uma das maiores cantoras da sua geração. Começou a sua carreira em 2005 com a sua mistura de poesia do samba, triphop e eletrónica e uma nomeação para os Grammy americanos, pouco depois de mudar a cena no seu próprio país como líder de uma nova geração de cantoras que escreviam as suas próprias canções.

Desde o início, Céu fez turnês internacionais e tocou ao vivo em quatro continentes, incluindo os mais importantes festivais brasileiros, como o Rock in Rio e o Lollapalooza (BRA), além do Montreal Jazz Festival (CH), North Sea Jazz (NL), Coachella (EUA), Roskilde (DK), Jazzopen e Rudolstadt (DE).

Com os seus álbuns “Tropix” (2016) e “APKÁ” (2020) ganhou três Grammys Latinos (no total, foi nomeada 9 vezes para os Grammy’s e Grammy’s Latinos até agora), além de vários prémios brasileiros. As músicas de Céu também são trilha sonora de filmes, séries de TV e comerciais em todo o mundo.

Durante a pandemia, em 2021, Céu lançou o LP “Acústico”, gravado apenas com violão e voz. Em 2021, foi lançado “Um Gosto de Sol”, um álbum de covers com clássicos dos Beastie Boys, Jimi Hendrix, Fiona Apple até João Gilberto, Rita Lee e Milton Nascimento.

A série ‘Grandes Autores Brasileiros’, uma iniciativa do Cônsul-Geral e escritor João Almino, com o apoio de instituições brasileiras de renome, apresenta ensaios sobre clássicos da literatura brasileira. Tratam, entre outras coisas, da procura da convivialidade em Machado de Assis, da inspiração mútua da pintura e da literatura no par modernista Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, ou, em Euclides da Cunha, de toda uma sociologia desenvolvida a partir de Canudos que moldou a identidade brasileira no século XX. Luísa Costa Hölzl apresenta alguns destes textos.

Na sua contribuição, a pesquisadora Barbara Freitag analisa as viagens de estudiosos de língua alemã através do Brasil do século XIX. No seu ensaio em quatro partes, ela segue os vestígios das expedições amazónicas do zoólogo austríaco Johann Natterer e do médico Georg Heinrich von Langsdorff, bem como o diário “Viagem ao redor do mundo” (1836) de Adelbert von Chamisso e sobretudo as importantes viagens dos dois naturalistas e amigos bávaros Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Phillipp von Martius, que até despertaram o interesse de Goethe pelo Brasil.

Após esta caminhada pelo passado literário do Brasil, o poeta Leonardo Tonus, juntamente com a tradutora Lilli-Hannah Hoepner, apresenta o seu volume de poesia em tradução alemã Aufzeichnungen von hoher See da editora Hagebutte Verlag, 2023 (título original: Diários em mar aberto). Aí ele explora os movimentos migratórios do nosso tempo e a história da sua própria família com palavras que brilham como pontos de orientação numa cartografia interior. Poemas lembrando entradas de um diário de bordo num mar entre o ontem e o hoje.

O passeio literário será acompanhado pelo Caiana Duo, conhecido como iniciador da Roda de Choro de Munique.

O evento, moderado por Luísa Costa Hölzl, vai decorrer em alemão e em português.

Com: Barbara Freitag (pesquisadora em Ciências Sociais), Leonardo Tonus (poeta) e Lilli-Hannah Hoepner (tradutora).
Música: Caiana Duo (Abdallah Harati, João Araújo)
Moderação: Luísa Costa Hölzl

Todos os eventos do Festival:

Quinta feira, dia 2 de fevereiro 2023, 20 hrs

Concerto: Caiana Duo e Bia Stutz
O Caiana Duo é composto por Abdallah Harati no violão sete cordas e João Araújo no pandeiro e percussão. Os dois músicos são conhecidos como os iniciadores da Roda de Choro de Munique, além de serem bastante ativos na cena cultural brasileira. O repertório do duo é constituído principalmente pela música instrumental como o jazz brasileiro, o choro, a valsa e o samba. Além de composições próprias, o Caiana Duo faz releituras de obras de autores como João Pernambuco, Dilermano Reis, Pixinguinha, Garoto, aliando precisão e espontaneidade nos arranjos musicais.

Como convidada especial, acompanham a clarinetista e saxofonista Bia Stutz que, desde 2009, se especializou no repertório brasileiro, com foco no choro. Bia traz na bagagem diversas turnês com bandas e outras formações instrumentais em várias cidades da Europa e da América do Norte. Além disso, participou como professora de clarinete em diferentes festivais de música brasileira. Em 2018, Bia Stutz produziu o seu primeiro single sob o título „Pro Paulo“ durante uma residência artística na Alemanha. Ela faz parte da Orquestra Sinfônica de Mulheres do Brasil e pesquisa sobre o tema „Mulheres no Choro“ na Universidade de Aveiro, em Portugal.
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Sexta feira, dia 3 de fevereiro 2023, 16 – 18 hrs

Workshops
Instrumentos de cordas com Henrique de Miranda Rebouças
Instrumentos de melodia com Bia Stutz
Pandeiro com Ludwig Himpsl
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Sexta feira, dia 3 de fevereiro 2023, 20 hrs

Antes, às 19 hrs: Conversa com Bia Stutz sobre „mulheres no choro“
(entrada livre/doação bem-vinda)

20 hrs: Concerto: “11th street” com Choro de Rua
A flautista italiana Barbara Piperno e o guitarrista e bandolinista brasileiro Marco Ruviaro formaram o duo Choro de Rua em 2012, no desejo de difundir o choro na Itália e na Europa. Assim, oferecem a possibilidade de apreciar um dos mais refinados e deliciosos gêneros da música instrumental brasileira. O duo Choro de Rua realiza um trabalho único, verdadeiramente pioneiro: buscando formas não-convencionais de divulgação do choro, o duo encontrou nas “Città d’Arte” italianas um lugar ideal e fértil para se apresentar diariamente, atingindo um público culto e proveniente de inúmeros países, capaz de reconhecer a variedade, o refinamento e a qualidade de uma proposta musical séria e inovadora.

Graças principalmente às apresentações pelas ruas, o Choro de Rua tem tido um contacto estreito com um público muito vasto ao longo dos anos. O primeiro disco do duo, “Aeroplanando” – lançado em 2013, entretanto chegado à terceira reimpressão –, já foi levado para mais de trinta países. O disco “Santo Bálsamo”, desde o seu lançamento em outubro de 2020, tem sido muito bem recebido pela crítica e pelo público. A ambição é a mesma do disco precedente: alcançar um público cada vez mais vasto e heterogêneo, desta vez através de um repertório de choro contemporâneo – uma realidade com múltiplas faces, cores e influências, mantendo o choro como um gênero sempre vivo e em constante transformação.
Mais: http://www.choroderua.com/
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Sábado, dia 4 de fevereiro 2023, 10 – 13 hrs

Workshops e ensaio de Bandão (a bigband com os/as participantes dos workshops)
Matthias Haffner sobre a construção de pandeiro
Instrumentos de cordas com Marco Ruviaro
Instrumentos de melodia com Barbara Piperno
Pandeiro com João Araújo
Ensaio de Bandão
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Sábado, dia 4 de fevereiro 2023, 18 hrs

Conversa em português com Luciana Rabello live do Rio de Janeiro (online/híbrida)
(entrada livre/doação bem-vinda)

Luciana Rabello (*1961 em Petropolis, Estado do Rio de Janeiro), toca o cavaquinho desde os quatorze anos. A partir de 1977 participou de centenas de gravações e muitos shows de diversos artistas no Brasil e no exterior (por exemplo Elizeth Cardoso, Paulinho da Viola, Francis Hime, Martinho da Vila, Joel Nascimento, Baden Powell de Aquino, Toquinho e Copinha). Criou entre outros a Acari Records, hoje a primeira gravadora de choro, a Escola Portátil de Música e, em 2015, a Casa do Choro no Rio. Esta abriga o maior acervo de choro do planeta e foi feita para ensinar, divulgar e preservar a cultura de choro. Lançou dois discos de trabalhos exclusivamente seus, “Luciana Rabello” (2000) e “Candeia Branca” (2014).
http://lucianarabello.com/

Sábado, dia 4 de fevereiro 2023, 20 hrs

Concerto: Bavaschôro
Bavaschôro é em grande parte responsável pela popularidade do choro em Munique ao longo dos últimos dez anos. Tendo começado no Café Henri no bairro Au e no Café Jasmin no bairro Maxvorstadt, os cinco rapazes, entretanto, já tocaram muitos concertos fora de Munique, bem como em Portugal e no Brasil. As suas influências bávaras enriquecem e alargam as sonoridades dos originais brasileiros. O som do Bavaschôro combina jazz, música folclórica alpina e ritmos brasileiros. Além disso, o grupo tem no seu repertório as suas próprias obras de música de câmara que fazem lembrar a música de salão europeia e assim constroem uma ponte da Europa Central para o Brasil.

Henrique de Miranda Rebouças (guitarra), Marcio Schuster (saxofone e composição), Ludwig (percussão, corneta, tuba) e Xaver Himpsl (fliscorne) e Luís Maria Hölzl (cavaquinho, guitarra portuguesa)
Mais: https://www.bavaschoro.de/
Tickets

Domingo, dia 5 de fevereiro 2023, 12 hrs.

Bandão e Roda de Choro
Bandão, a bigband constituída por participantes dos workshops, toca uns choros ensaiados em conjunto. Em seguida uma roda de choro com feijoada e bebidas geladas.

Bilhete vale por uma porção. Por favor fale se quer vegano ou com carne (na compra do bilhete). Há 3 Slots para os bilhetes da feijoada:

12:00

12:30

13:00

Time-based media na intersecção entre as artes-visuais e o cinema

Os artistas atualmente residentes na Villa Waldberta em Feldafing dão a conhecer as suas obras em desenvolvimen­to, mostrando material bruto e fragmentos de trabalhos atuais, assim como obras completas mais antigas.

O elemento comum é a reflexão artística sobre a periferia: um glitch digital no espaço virtual, a observação documental nos subúrbios da cidade, assim como uma experiência mental para explorar áreas fronteiriças.

Com: Inti Gallardo, Ygor Gama, Sarah Messerschmidt, Filipe Nunes Branco, Patrik Thomas e Mathias R. Zausinger