Programação

“O Mapeador de Ausências” – Um serão com Mia Couto

Quarta-feira, 13 de março de 2024, 19 horas

O moçambicano Mia Couto é um dos escritores mais destacados da África lusófona. No seu último romance, Mia Couto leva o poeta Diogo Santiago de volta à sua cidade natal, a Beira. Todos lhe prestam homenagem, porém, ao ter acesso a antigos ficheiros secretos da polícia, o seu mundo é abalado. O Mapeador de Ausências (Unionsverlag, 2023) é uma obra-prima pós-colonial.

Um romance moçambicano que entrelaça a história contemporânea e os destinos individuais de forma espantosa: “um fogo de artifício poético de imagens luminosas que por muito tempo permanecem sob o nosso olhar”. (Lire)

O reconhecido poeta Diogo Santiago regressa à sua cidade natal, a Beira. A sua família pertencia à minoria branca dominante antes da independência de Moçambique. Enquanto o ciclone Idai paira ameaçadoramente sobre a Beira, Diogo acede inesperadamente, através de Liana Campos, neta de um inspetor da polícia, a documentos secretos (diários, atas de interrogatórios e ficheiros da polícia) que questionam a história da sua família.

No início da década de 1970, durante a luta de libertação de Moçambique contra as tropas coloniais portuguesas, os militares portugueses e os serviços secretos da PIDE perpetraram cruéis massacres da população no interior do país. Entre eles, a aldeia de Inhaminga, onde mais de 3.000 pessoas foram assassinadas em 1973. O pai de Diogo, Adriano, também poeta, tentou documentar, na altura e secretamente, esse crime, mas acabou por ser preso, torturado e morreu. Pouco a pouco, os ficheiros vão revelando o envolvimento da família de Diogo e dos seus vizinhos no massacre: o primo de Adriano, que desapareceu de repente um dia, não era afinal quem todos julgavam que fosse? O que é que o irmão do amigo de infância de Diogo, Benedito, que vivia com os Santiagos como empregado doméstico, teve a ver com os acontecimentos macabros? E como é que tudo isto se relaciona com a trágica lenda da filha do vizinho, que amava um negro, o que não era permitido?

Na tentativa de mapear a história do país e a sua própria, Diogo depara-se com contradições e múltiplas versões. Juntamente com Liana, a quem Diogo se sente misteriosamente ligado, parte em busca de respostas.

Com: Mia Couto
Moderação: Cornelia Zetzsche
Leitura: Thomas Lettow (Residenztheater)
Tradução: Barbara Mesquita
Evento em português e em alemão

Início: 19 hrs, bar do foyer aberto a partir das 18 hrs

Entrada: 15 euros / 10 euros
(bilhetes disponíveis em Reservix ou através do número 0761-88849999)

Local: Literaturhaus, Foyer
Salvatorplatz 1, 80333 Munique

Um evento organizado pela fundação Literaturhaus em colaboração com Lusofonia e.V.

Festival de Chôro Munique 2024

Dia 15 a 18 de fevereiro 2024

O choro, irmão mais velho do samba, é amado, tocado e celebrado não só em todo o Brasil, como também em muitos outros lugares do mundo.
De 15 a 18 de fevereiro de 2024, Munique tornar-se-á, pela terceira vez, a capital europeia do choro, ao apresentar um festival no centro cultural LUISE: haverá concertos, palestras, oficinas, rodas de choro e comida brasileira. O festival deste ano é também uma homenagem à primeira mulher pianista chorona e primeira maestrina brasileira, Chiquinha Gonzaga. Os seus choros serão ouvidos em todos os concertos. Vamos celebrar a música e a cultura com artistas do Brasil e talentos locais do choro!

CALENDÁRIO DO FESTIVAL

Quinta-feira, 15 de fevereiro, 19 hrs:
Concerto com Caiana Duo e Bavaschôro
O concerto de abertura vai prolongar o Carnaval! O Duo Caiana e o Bavaschôro são a essência do choro em Munique. João Araújo (pandeiro) e Abdallah Harati (violão de 7 cordas) transportam a tradição brasileira para o exterior e, como chorões apaixonados, organizam a “Roda de Choro de Munique”. O grupo Bavaschôro, por sua vez, rompe com muitas tradições e traz o choro para solo bávaro. O som próprio desta banda cruza habilmente reputados choros brasileiros com letras e citações de peças da Baviera, e interpreta estas composições em instrumentos atípicos do choro, como a corneta, a guitarra portuguesa, o filicorne e a tuba. A abertura de festival é dedicada aos verdadeiros amantes do choro e vai, certamente, ganhar novos adeptos.
Com: João Araújo (pandeiro), Abdallah Harati (violão de 7 cordas), Henrique de Miranda Rebouças (violão de 7 cordas), Ludwig Himpsl (corneta, tuba, percussão / pandeiro), Xaver Himpsl (trompete, filicorne), Luís Maria Hölzl (guitarra portuguesa, cavaquinho, violino)
Mais sobre Caiana Duo und Bavaschôro

Sexta-feira, 16 de fevereiro, das 9 às 12hrs:
Três oficinas instrumentais
Instrumentos de guitarra/melodia/percussão
Com: Abdallah Harati (guitarra), Cris Gavazzoni (percussão), Marcio Schuster (saxofone)

13:30 às 16:30hrs:
Bandão (orquestra de choro) com Sérgio Albach
Esta oficina ensina a tocar em conjunto. Uma experiência musical maravilhosa para todo o tipo de grupos instrumentais.

17hrs:
Concerto com Marcio Schuster (saxofone/eletrônica)
O saxofonista Marcio Schuster apresenta um incomparável concerto solo. O saxofone se funde com elementos electrónicos que harmonizam com a música brasileira, especialmente com o choro.
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18:30hrs:
Concerto com Sérgio Albach (clarinete, clarinete baixo) e Henrique de Miranda Rebouças (violão 7 cordas)
O talentoso Sérgio Albach, virtuoso do clarinete, participa pela primeira vez no Festival de Chôro de Munique. Sérgio não só dará uma grandiosa oficina masterclass para bandão – a orquestra para choro – mas também apresentará um concerto de tirar o fôlego. A sua impressionante carreira musical, o seu compromisso com a música brasileira, especialmente com o choro, e a sua vasta colaboração com artistas de renome fazem dele um dos destaques do festival. Acompanha o clarinetista o violão de Henrique de Miranda Rebouças, artista de Munique.
Mais sobre Sérgio Albach

20hrs:
Concerto com Batucalina
“Batucalina” é composto do verbo “batucar” e das duas últimas sílabas de violino, no feminino. A combinação exótica de violino e percussão cria uma experiência sonora única, rica em cores e ritmos.
Com: Priscila Baggio Simeoni (violino), Cris Gavazzoni (percussão)
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Sábado, 17 de fevereiro, das 9 às 12hrs:
Três oficinas instrumentais
Instrumentos de guitarra/melodia/percussão
Com: Abdallah Harati (guitarra), Cris Gavazzoni (percussão), Marcio Schuster (saxofone)

13:30 às 16:30hrs:
Bandão (orquestra de choro) com Sérgio Albach
Esta oficina ensina a tocar em conjunto. Uma experiência musical maravilhosa para todo o tipo de grupos instrumentais.

17hrs:
Concerto com Pedro Aguiar (violão)
O excecional guitarrista Pedro Aguiar toca choro na guitarra clássica. Pedro Aguiar ganhou vários concursos, incluindo o concurso internacional de guitarra Alhambra. Para além dos seus compromissos como solista, é muito solicitado como parceiro de música de câmara e docente.
Mais sobre Pedro Aguiar

19hrs:
Choro Tuiuiú
O quinteto de Nuremberg apresenta uma das formas mais originais desta música com flauta transversal, clarinete, bandolim, violão de sete cordas e percussão (pandeiro). Os cinco músicos evocam em palco os sons dos bares e botecos do Rio de Janeiro. Chorinho no seu melhor.
Com: Aron Hantke (pandeiro), João Lucas Moreira (bandolim), Marie-Kristin Burger (flauta), Marcus Milian (violão de 7 cordas), Lars Groeneveld (clarinete)
Mais sobre Tuiuiú

Domingo, 18 de fevereiro, 11hrs: 
Concerto com Saideira e Amigos
Os músicos são membros fiéis das Rodas de Choro de Munique, nossos Chorões Bávaros.
Com: Claudia Góndola-Hackl (flauta), Andrea Breyer Bartsch (violão de 7 cordas), Hans Erdt (violão e melódica), Georg Wiedmann (pandeiro e percussão), Hermann Kehrer (cavaquinho e bandolim), Pit Weininger (bandolim)

12 hrs:
Apresentação do Bandão (orquestra de choro)

Em seguida:
Roda de Choro e Caldo de Feijão
No final, uma roda de choro para todos com comes e bebes!

Lugar: Centro cultural LUISE
Ruppertstraße 5, Metrô Poccistraße

Bilhetes: Existe um bilhete único com validade para todos os eventos, ou bilhetes por evento: https://rausgegangen.de/events/festival-de-choro-2024-munchen-0/

Parcerias e apoios: Kulturreferat der Landeshauptstadt München, DBKV, Lusofonia e.V., RuppertBrasil, Supremo Rösterei, MusicallShirts

Curadores: Abdallah Harati, Marcio Schuster e Luís Maria Hölzl. Mais aqui: https://choromuenchen.com/

O Brasil num ponto de viragem – A difícil luta pela democracia

Quinta-feira, 5 de outubro de 2023, 19 horas

Atualmente, a democracia parece estar novamente fortalecida no Brasil. Mas a influência da extrema-direita na política e na sociedade continua a ser perigosa. Quem está a fazer frente à extrema-direita no Brasil? Como é que as instituições e os movimentos sociais conseguem enfrentar a ameaça e salvaguardar o que foi alcançado? E que pontos comuns podemos observar entre o Brasil e a Europa?
A cientista política e ativista Biancka Arruda Miranda e o jornalista e autor Niklas Franzen discutem com o público estas e outras questões relativas ao estado da democracia no Brasil.

Desde que Lula da Silva assumiu a Presidência no lugar de Jaír Bolsonaro, no início de 2023, a democracia parece ter se fortalecido novamente no Brasil. Mas a influência da extrema-direita na política e na sociedade continua forte, limitando as conquistas democráticas e e prosseguindo a agenda de violência antifeminista, racista e exacerbadora da desigualdade social. E, por princípio, a direita subordina as preocupações ecológicas aos interesses econômicos. Que atores se opõem então à extrema-direita no Brasil? Onde as forças democráticas conseguiram se consolidar? E quais grupos e conquistas sociais, por outro lado, continuam ameaçados?

A perda de confiança na política não é um problema apenas do Brasil, pois também pode ser observada internacionalmente, assim como a ascensão dos atores de direita nas redes sociais. Que semelhanças podem ser detectadas entre a maior democracia da América do Sul e a Europa? E que papel desempenham efetivamente as muitas empresas alemãs que apoiam o poderoso agronegócio brasileiro? O que podemos aprender uns com os outros para defender a democracia com soluções progressistas?

Biancka Arruda Miranda e Niklas Franzen querem discutir isso com o público.

Biancka Arruda Miranda é cientista política, ativista ambiental e de direitos humanos e presidente da KoBra Kooperation Brasilien e.V., Munique, e da Commit e.V..

Niklas Franzen é jornalista e especialista em temas ligados ao Brasil. Viveu durante vários anos em São Paulo, onde trabalhou como correspondente para vários jornais e revistas. Em maio de 2022 foi publicado o seu livro “Brasil acima de tudo. Bolsonaro e a revolta da direita” (Associação A, Berlim).

Com: Biancka Arruda Miranda e Niklas Franzen
Moderação: Wanda Jakob, Lusofonia e.V.

Entrada livre

Por favor, registe-se no site da Fundação Friedrich Ebert.

Local:
Amerikahaus, Karolinensaal, 1º andar
Karolinenplatz 3, 80333 Munique, Alemanha

Um evento da Fundação Friedrich Ebert da Baviera em cooperação com Lusofonia e. V. e Amerikahaus.

CÉU – Tour Fénix do Amor

Dienstag, 25. Juli 2023, 20:30 Uhr

Com esta turnês, Céu celebra os 18 anos de carreira, interpretando todos os êxitos, bem como alguns covers do seu último álbum. Música do Brasil sobre o Brasil.

Com mais de quinze anos de carreira, a cantora e compositora brasileira Céu é considerada uma das artistas brasileiras mais influentes e importantes deste século e uma das maiores cantoras da sua geração. Começou a sua carreira em 2005 com a sua mistura de poesia do samba, triphop e eletrónica e uma nomeação para os Grammy americanos, pouco depois de mudar a cena no seu próprio país como líder de uma nova geração de cantoras que escreviam as suas próprias canções.

Desde o início, Céu fez turnês internacionais e tocou ao vivo em quatro continentes, incluindo os mais importantes festivais brasileiros, como o Rock in Rio e o Lollapalooza (BRA), além do Montreal Jazz Festival (CH), North Sea Jazz (NL), Coachella (EUA), Roskilde (DK), Jazzopen e Rudolstadt (DE).

Com os seus álbuns “Tropix” (2016) e “APKÁ” (2020) ganhou três Grammys Latinos (no total, foi nomeada 9 vezes para os Grammy’s e Grammy’s Latinos até agora), além de vários prémios brasileiros. As músicas de Céu também são trilha sonora de filmes, séries de TV e comerciais em todo o mundo.

Durante a pandemia, em 2021, Céu lançou o LP “Acústico”, gravado apenas com violão e voz. Em 2021, foi lançado “Um Gosto de Sol”, um álbum de covers com clássicos dos Beastie Boys, Jimi Hendrix, Fiona Apple até João Gilberto, Rita Lee e Milton Nascimento.

Literatura moçambicana hoje: leitura e conversa com a escritora Virgília Ferrão

Quarta-feira, dia 21 de junho de 2023, 19 horas

A moçambicana Virgília Ferrão combina nos seus romances elementos da literatura fantástica tradicional com elementos da cultura pop. Aos 36 anos, já publicou quatro romances. O tradutor Michael Kegler irá conversar com ela dos seus livros, do passado colonial de Moçambique, do legado da guerra civil e da jovem geração de autores e autoras do século XXI.

“O universo é cheio de mistérios. Enquanto cá estiver, será um privilégio poder explorar as infinitas histórias que ele nos oferece.” Virgília Ferrão

Desde a independência, Virgília Ferrão é a terceira mulher a publicar romances em Moçambique. Em colaboração com outras autoras moçambicanas tem um blogue e compilou uma antologia de contos fantásticos. Os seus próprios livros, entre os quais “O Inspector Xindximila”, “Sina de Aruanda” e “Os Nossos Feitiços”, também apresentam elementos fantásticos, com influências da cultura popular norte-americana. Além disso, a autora, ao tematizar o legado da escravatura e da classe dominante portuguesa, mergulha no passado colonial do seu país. Tudo isto envolto em questões da vida quotidiana, da família, do amor e do que significa crescer no século XXI.

Em conversa com o tradutor Michael Kegler, Virgília Ferrão falará sobre a jovem cena literária moçambicana, a sua própria carreira e as condições de trabalho e estruturas organizacionais dos jovens literatos de Moçambique. Leitura de excertos e a integração da sua obra na literatura lusófona completam o serão.

Virgília Ferrão nasceu em 1986 em Maputo, Moçambique. Estudou Direito em Maputo e Melbourne. Ao seu romance de estreia, “O Romeu é Xingondo e a Julieta Machangane“, publicado em 2005, seguiu-se “O Inspector de Xindzimila” (2016). Com o seu manuscrito inédito “A Sina da Aruanda” (2021), ela foi a primeira mulher a receber o Prémio Literário 10 de Novembro. Em 2022 publicou “Os Nossos Feitiços”. É fundadora e administradora do blogue Diário de Uma Qawwi e publicou a antologia “Espíritos Quânticos. Uma Jornada por entre Histórias de África em Ficção Especulativa”. Em alemão, até ao momento, foi publicada uma crónica sua em “Crónicas lusófonas / Lusophone Kolumnen. Zeitgenössische Alltagsbetrachtungen aus portugiesischsprachigen Ländern” (dtv Munique 2022, ed. de Luísa Costa Hölzl, trad. de Michael Kegler). Atualmente, trabalha como consultora jurídica numa empresa internacional de energia.

Michael Kegler, nascido em 1967 em Giessen, Alemanha, passou parte da sua infância na Libéria e no Brasil. Desde os anos noventa que se dedica à tradução de literatura do espaço lusófono. Em 2014, recebeu o Prémio de Tradução Straelen e, em 2016, juntamente com o autor Luiz Ruffato, o Prémio Hermann Hesse da cidade de Calw. É um conhecedor profundo das literaturas lusófonas, especialista sempre atualizado nas mais recentes produções literárias.

Entrada: 10 € / 8 €
Reserva de bilhetes através de: info@migration-macht-gesellschaft.de referência: Lesung Virgília Ferrão

Lugar: EineWeltHaus
Sala 211, 2o andar
Schwanthalerstr. 80
80336 München

Um evento da Lusofonia e.V. em cooperação com Migration macht Gesellschaft e.V. e com o apoio do Departamento Cultural da Cidade de Munique.

Um vídeo (cortado) da leitura se encontra aqui.