João Paulo Cuenca: O único final feliz para uma história de amor é um acidente
Traduzido para o alemão por Michael Kegler
A1 Verlag, München, 2012

Shunsuke, jovem empregado duma empresa falida em Tóquio, apaixona-se numa discoteca pela empregada de mesa polaca-romena Iulana. Um velho escritor segue-os a cada passo: é o pai de Shunsuke, Atsuo Okuda. Com uma rede de espionagem privada, o pai, que vive com Yoshiko, uma boneca erótica ultra-realista que fala, pretende atacar sobretudo a felicidade do filho. A mania pérfida de tudo controlar torna-se uma ameaça muito perigosa para todos.

Consegue, habilidosamente, fugir dos clichês mesmo contando uma história de amor.
Eduardo Coelho, Revista LER

João Paulo Cuenca (1978, Rio de Janeiro) publicou em 2003 seu primeiro livro Corpo Presente, em 2007 saiu o segundo romance O Dia Mastroianni. A prestigiosa revista literária Granta nomeou-o em Julho de 2012 um dos 20 melhores escritores jovens do Brasil. Cuenca trabalha também como jornalista cultural para a imprensa brasileira. JP Cuenca vive no Rio de Janeiro.

O tradutor Michael Kegler nasceu em 1967 em Gießen e passou uma parte da infância na Libéria e no Brasil. É jornalista e livreiro e, desde os finais dos anos 90 traduz do português.

Mediação e leitura do texto em alemão: Michael Kegler

Em janeiro último, faleceu, com 101 anos, Curt Meyer-Clason, tradutor de muitas obras das literaturas lusófonas e latino-americanas, um incansável divulgador cultural e escritor com obra própria.

Meyer-Clason viveu como representante comerciante antes, durante e depois  da segunda guerra mundial, ao todo duas décadas, no Brasil. Vivências significativas fizeram dele uma pessoa nova, e depois de ter regressado à Alemanha dedicou-se com muita paixão à literatura, tornando-se tradutor e mediador.

De 1969 a 1976 foi diretor do Instituto Goethe em Lisboa. Desses tempos de ditadura e revolução trata o seu livro Portugiesische Tagebücher, infelizmente ainda não editado em português. As anotações sobre aquela época de mudanças são uma declaração de amor ao país e seu povo. E à literatura, que ele introduziu num trabalho pioneiro junto ao público alemão.

Escutamos poemas em português, espanhol e alemão e também textos escritos pelo próprio Curt Meyer-Classon.

Henrique de Miranda Rebouças, no violão brasileiro, e Luís Maria Hölzl, na guitarra portuguesa, tocam choro e fado.

Leitura: Philine Meyer-Clason e Luísa Costa Hölzl

No âmbito do nosso ciclo literário ZEPPELINpoético – literatura brasileira em Munique:

A escritora e roteirista brasileira Beatriz Bracher (São Paulo, 1961) irá ler passagens do seu romance Antonio (Editora 34, São Paulo, 2007).

Pouco antes do nascimento de seu primeiro filho, Benjamin Kremz descobre um bem guardado segredo familiar, que tem pairado sobre várias gerações. Em conversas com a avó, com um amigo do avô e com um amigo do pai, são lhe reveladas as razões porque sua mãe teve um filho tanto do avô como do pai.

Beatriz Bracher põe em cena uma narrativa polifônica e poética, com figuras que falam de seu envolvimento a nível individual e social, sobre seus dilemas entre culpa e inocência, sobre ditadura e resistência. Estas vivências pessoais resultam numa panorâmica multifacetada da classe média alta brasileira do século XX. Beatriz Bracher escreve de um modo exato e impressivo e as vozes de seus personagens exprimem energia e fortes emoções.

Introdução e mediação: Luísa Costa Hölzl
Leitura alemã: Wanda Jakob

Santiago Nazarian, nascido em 1977 em São Paulo, publicou seis romances e uma coleção de contos. Ainda não foi traduzido por alemão. Santiago estudou literatura e tem trabalhado como professor de inglês, disc jockey e tradutor. O Hay Festival escolheu-o em 2007 como um dos 39 escritores mais significativos da América Latina até aos 39 anos de idade.

Santiago irá ler trechos do thriller Feriado de mim mesmo e alguns dos 14 contos de Pornofantasma, inspirados pelos autores alemães Grimm e E.T.A. Hoffmann.

Introdução e mediação: Luísa Costa Hölzl
Leitura das passagens traduzidas: Wanda Jakob

Workshop

19-21 de outobro 2011, 16-18:30 horas


Videodança e performance

21 de outobro 2011, 19:30 horas

a seguir DJ Live Set “rhythmpolice”


Artistas

Cynthia Domenico nas suas obras passeia universos da dança, da performance e da videoarte. Ela desenvolve projetos independentes de performance e video-dança e trabalha como produtura. 2006 fundou sOma realizações, uma iniciativa artística, que pesquisa a relação entre as linguagens da dança, da música, do audiovisual e das artes visuais. As videodanças foram mostradas em vários festivais internacionais, como CologneOFF (Colónia), Projeto Teorema (São Paulo), University of Utah Dance Camera Festival (EUA), Festival FRAME Research (Portugal), Reel Dance International Festival (Australia e Nova Zélândia), Plataforma Berlin (Uferstudios Berlin) und Lakino (Cine Babylon / Berlim).

Guilherme Chiappetta é músico e produtor de música. Lecionou entre 2003 e 2005 baixo elétrico e teoria musical no conservatório Souza Lima e ministrou aulas de pratica de grupo no Estúdio Malakias. Desde 2005 está a frente do Projeto África lá em Casa de jazz contemporâneo realizando shows performáticos em teatros e espaços públicos da cidade. O artista já criou trilha sonora para curtas e longa-metragens, jingles publicitários e spots comerciais. Desde 2007 faz parte da iniciativa sOma e vem desenvolvendo projetos para dança.