A série ‘Grandes Autores Brasileiros’, uma iniciativa do Cônsul-Geral e escritor João Almino, com o apoio de instituições brasileiras de renome, apresenta ensaios sobre clássicos da literatura brasileira. Tratam, entre outras coisas, da procura da convivialidade em Machado de Assis, da inspiração mútua da pintura e da literatura no par modernista Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, ou, em Euclides da Cunha, de toda uma sociologia desenvolvida a partir de Canudos que moldou a identidade brasileira no século XX. Luísa Costa Hölzl apresenta alguns destes textos.
Na sua contribuição, a pesquisadora Barbara Freitag analisa as viagens de estudiosos de língua alemã através do Brasil do século XIX. No seu ensaio em quatro partes, ela segue os vestígios das expedições amazónicas do zoólogo austríaco Johann Natterer e do médico Georg Heinrich von Langsdorff, bem como o diário “Viagem ao redor do mundo” (1836) de Adelbert von Chamisso e sobretudo as importantes viagens dos dois naturalistas e amigos bávaros Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Phillipp von Martius, que até despertaram o interesse de Goethe pelo Brasil.
Após esta caminhada pelo passado literário do Brasil, o poeta Leonardo Tonus, juntamente com a tradutora Lilli-Hannah Hoepner, apresenta o seu volume de poesia em tradução alemã Aufzeichnungen von hoher See da editora Hagebutte Verlag, 2023 (título original: Diários em mar aberto). Aí ele explora os movimentos migratórios do nosso tempo e a história da sua própria família com palavras que brilham como pontos de orientação numa cartografia interior. Poemas lembrando entradas de um diário de bordo num mar entre o ontem e o hoje.
O passeio literário será acompanhado pelo Caiana Duo, conhecido como iniciador da Roda de Choro de Munique.
O evento, moderado por Luísa Costa Hölzl, vai decorrer em alemão e em português.
Com: Barbara Freitag (pesquisadora em Ciências Sociais), Leonardo Tonus (poeta) e Lilli-Hannah Hoepner (tradutora).
Música: Caiana Duo (Abdallah Harati, João Araújo)
Moderação: Luísa Costa Hölzl
Todos os eventos do Festival:
Quinta feira, dia 2 de fevereiro 2023, 20 hrs
Concerto: Caiana Duo e Bia Stutz
O Caiana Duo é composto por Abdallah Harati no violão sete cordas e João Araújo no pandeiro e percussão. Os dois músicos são conhecidos como os iniciadores da Roda de Choro de Munique, além de serem bastante ativos na cena cultural brasileira. O repertório do duo é constituído principalmente pela música instrumental como o jazz brasileiro, o choro, a valsa e o samba. Além de composições próprias, o Caiana Duo faz releituras de obras de autores como João Pernambuco, Dilermano Reis, Pixinguinha, Garoto, aliando precisão e espontaneidade nos arranjos musicais.
Como convidada especial, acompanham a clarinetista e saxofonista Bia Stutz que, desde 2009, se especializou no repertório brasileiro, com foco no choro. Bia traz na bagagem diversas turnês com bandas e outras formações instrumentais em várias cidades da Europa e da América do Norte. Além disso, participou como professora de clarinete em diferentes festivais de música brasileira. Em 2018, Bia Stutz produziu o seu primeiro single sob o título „Pro Paulo“ durante uma residência artística na Alemanha. Ela faz parte da Orquestra Sinfônica de Mulheres do Brasil e pesquisa sobre o tema „Mulheres no Choro“ na Universidade de Aveiro, em Portugal.
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Sexta feira, dia 3 de fevereiro 2023, 16 – 18 hrs
Workshops
Instrumentos de cordas com Henrique de Miranda Rebouças
Instrumentos de melodia com Bia Stutz
Pandeiro com Ludwig Himpsl
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Sexta feira, dia 3 de fevereiro 2023, 20 hrs
Antes, às 19 hrs: Conversa com Bia Stutz sobre „mulheres no choro“
(entrada livre/doação bem-vinda)
20 hrs: Concerto: “11th street” com Choro de Rua
A flautista italiana Barbara Piperno e o guitarrista e bandolinista brasileiro Marco Ruviaro formaram o duo Choro de Rua em 2012, no desejo de difundir o choro na Itália e na Europa. Assim, oferecem a possibilidade de apreciar um dos mais refinados e deliciosos gêneros da música instrumental brasileira. O duo Choro de Rua realiza um trabalho único, verdadeiramente pioneiro: buscando formas não-convencionais de divulgação do choro, o duo encontrou nas “Città d’Arte” italianas um lugar ideal e fértil para se apresentar diariamente, atingindo um público culto e proveniente de inúmeros países, capaz de reconhecer a variedade, o refinamento e a qualidade de uma proposta musical séria e inovadora.
Graças principalmente às apresentações pelas ruas, o Choro de Rua tem tido um contacto estreito com um público muito vasto ao longo dos anos. O primeiro disco do duo, “Aeroplanando” – lançado em 2013, entretanto chegado à terceira reimpressão –, já foi levado para mais de trinta países. O disco “Santo Bálsamo”, desde o seu lançamento em outubro de 2020, tem sido muito bem recebido pela crítica e pelo público. A ambição é a mesma do disco precedente: alcançar um público cada vez mais vasto e heterogêneo, desta vez através de um repertório de choro contemporâneo – uma realidade com múltiplas faces, cores e influências, mantendo o choro como um gênero sempre vivo e em constante transformação.
Mais: http://www.choroderua.com/
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Sábado, dia 4 de fevereiro 2023, 10 – 13 hrs
Workshops e ensaio de Bandão (a bigband com os/as participantes dos workshops)
Matthias Haffner sobre a construção de pandeiro
Instrumentos de cordas com Marco Ruviaro
Instrumentos de melodia com Barbara Piperno
Pandeiro com João Araújo
Ensaio de Bandão
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Sábado, dia 4 de fevereiro 2023, 18 hrs
Conversa em português com Luciana Rabello live do Rio de Janeiro (online/híbrida)
(entrada livre/doação bem-vinda)
Luciana Rabello (*1961 em Petropolis, Estado do Rio de Janeiro), toca o cavaquinho desde os quatorze anos. A partir de 1977 participou de centenas de gravações e muitos shows de diversos artistas no Brasil e no exterior (por exemplo Elizeth Cardoso, Paulinho da Viola, Francis Hime, Martinho da Vila, Joel Nascimento, Baden Powell de Aquino, Toquinho e Copinha). Criou entre outros a Acari Records, hoje a primeira gravadora de choro, a Escola Portátil de Música e, em 2015, a Casa do Choro no Rio. Esta abriga o maior acervo de choro do planeta e foi feita para ensinar, divulgar e preservar a cultura de choro. Lançou dois discos de trabalhos exclusivamente seus, “Luciana Rabello” (2000) e “Candeia Branca” (2014).
http://lucianarabello.com/
Sábado, dia 4 de fevereiro 2023, 20 hrs
Concerto: Bavaschôro
Bavaschôro é em grande parte responsável pela popularidade do choro em Munique ao longo dos últimos dez anos. Tendo começado no Café Henri no bairro Au e no Café Jasmin no bairro Maxvorstadt, os cinco rapazes, entretanto, já tocaram muitos concertos fora de Munique, bem como em Portugal e no Brasil. As suas influências bávaras enriquecem e alargam as sonoridades dos originais brasileiros. O som do Bavaschôro combina jazz, música folclórica alpina e ritmos brasileiros. Além disso, o grupo tem no seu repertório as suas próprias obras de música de câmara que fazem lembrar a música de salão europeia e assim constroem uma ponte da Europa Central para o Brasil.
Henrique de Miranda Rebouças (guitarra), Marcio Schuster (saxofone e composição), Ludwig (percussão, corneta, tuba) e Xaver Himpsl (fliscorne) e Luís Maria Hölzl (cavaquinho, guitarra portuguesa)
Mais: https://www.bavaschoro.de/
Tickets
Domingo, dia 5 de fevereiro 2023, 12 hrs.
Bandão e Roda de Choro
Bandão, a bigband constituída por participantes dos workshops, toca uns choros ensaiados em conjunto. Em seguida uma roda de choro com feijoada e bebidas geladas.
Bilhete vale por uma porção. Por favor fale se quer vegano ou com carne (na compra do bilhete). Há 3 Slots para os bilhetes da feijoada:
Time-based media na intersecção entre as artes-visuais e o cinema
Os artistas atualmente residentes na Villa Waldberta em Feldafing dão a conhecer as suas obras em desenvolvimento, mostrando material bruto e fragmentos de trabalhos atuais, assim como obras completas mais antigas.
O elemento comum é a reflexão artística sobre a periferia: um glitch digital no espaço virtual, a observação documental nos subúrbios da cidade, assim como uma experiência mental para explorar áreas fronteiriças.
Com: Inti Gallardo, Ygor Gama, Sarah Messerschmidt, Filipe Nunes Branco, Patrik Thomas e Mathias R. Zausinger
Em inglês, a palavra „mine“ pode ser traduzida tanto como espaço de extração mineral quanto como pronome possessivo. Como território explorado e também como uma materialização do self, “mine” é o centro de uma estrutura capitalista e seus padrões.
Em uma mistura de homenagem e manifesto, a exposição Over (The) Mine convida o público a refletir sobre as profundezas obscuras da mineração e a partir daí redesenhar os mapas de destruição para abrir espaços para outras realidades.
Que as minas acabem, e não as vidas. Que a ideia egoísta do que é “meu” mude. Que o futuro de ontem possa superar as paisagens dolorosas.
Desenvolvidas especificamente para Munique, as obras chegam ao público na cidade onde acontece o julgamento de um dos crimes humanos e ambientais mais graves da história recente: Em 2019 na cidade de Brumadinho, Brasil, uma barragem de minério se rompeu, matando 272 pessoas e quilômetros de fauna e flora. A empresa que garantiu a segurança da barragem é sediada em Munique e nega judicialmente sua responsabilidade.
Além disso, grandes bancos alemães investem atualmente em mineradoras que estão diretamente envolvidas em conflitos ambientais e humanos no Brasil. Neste contexto, a exposição é também um alerta e um apelo à ação, afinal, apesar das distâncias físicas e simbólicas, as decisões tomadas por países europeus atualizam a era colonialista afetando diretamente outros territórios.
As artistas:
Isadora Canela é uma cineasta e artista visual brasileira de renome internacional. Após graduar-se na Universidade de Viçosa/Brasil e especializar-se na Universidade das Artes de Londres (UAL), ela ganhou o Prêmio Expocom no maior congresso nacional de mídia do Brasil por seu ensaio fotográfico Vitrine sobre a violência contra as mulheres. Ela lançou recentemente o curta-metragem Linhas Tênues sobre o trabalho escravo na indústria da moda, que tem sido exibido em festivais ao redor do mundo. Atualmente ela está trabalhando no longa-metragem Na Sombra do Sol sobre o conhecimento astronômico dos povos indígenas. O tema de seu trabalho é sempre a arte como um meio de mudar as estruturas sociais, ecológicas e políticas.
Junto com os outros artistas convidados atuais da Ebenböckhaus, ela está pesquisando e trabalhando sobre o tema da exploração de minas e seus trabalhadores no estado de Minas Gerais e os efeitos resultantes sobre a terra, a sociedade e a democracia no Brasil. Após anos de coleta de material, elas estão agora tentando materializar este trabalho na forma de uma instalação artístico-sensorial.
Lis Haddad, nascida em Belo Horizonte/Brasil em 1981, é artista visual e designer de jóias. Desde 2017 ela vem compartilhando seu tempo entre o Brasil e a Ásia e pesquisando práticas manuais para descobrir o modo como o artesanato e a joalheria corporal se tornam ferramentas para a descolonização do design e da estética. Entre seus muitos trabalhos destaca-se a coordenação do Departamento de Joalheria e Design da Fundação da Arch College of Design and Business, Jaipur/India (2017-2018), tendo desenvolvido e orientando o laboratório de processo criativo ‘A Jóia Expandida‘ (2015-2018) e dirigido a arte do documentário Concrete Dreams: Skating Niemeyer. Ela faz parte do coletivo de artistas MI(EA)NING.
Thais Paiva, o terceiro membro do coletivo de artistas M(EA)NING, vive atualmente em Berlim como fotógrafa e arquiteta. Seu trabalho é baseado em extensa pesquisa entre Ásia e Oceania, combinada com filosofias de planejamento urbano para usar a arte e a arquitetura como uma ferramenta de inclusão social. Seus trabalhos de vídeo e fotografia, assim nos ensaios fotográficos Tofu Artesão Apoiando Gerações ou Crianças Perdidas em um Labirinto de Trabalho Escravo, têm o objetivo de provocar discussões sobre crescimento e responsabilidade, com a esperança em reformas que reduzam as desigualdades sociais.
Mais de ano e meio de pandemia … o mundo parou. Os confinamentos quase fizeram desaparecer do espaço público a cultura. Devagar vamos acordando. E queremos saber se a literatura vacila ou se ela sairá ilesa desta crise. Autoras e autores viveram recolhidos e escreveram. Aí estão elas e eles manifestando a sua resiliência perante tempos difíceis.
Queremos saber o que há de novo na literatura brasileira. A publicação parou? Ou redobraram os esforços? Reeditam-se obras? Abrem editoras? As livrarias vendem? Autores célebres publicam novas obras? Dos autores jovens vem uma lufada de ar fresco? Ou algum furacão?
Rogério Pereira, jornalista, editor e escritor, fundador em 2000 do jornal Rascunhoe coordenador do projeto Paiol Literário, vem conversar com Michael Kegler, tradutor e moderador cultural e com Luísa Costa Hölzl, docente de português e editora.
Rogério Pereira nasceu em Galvão (Santa Catarina, Brasil), em 1973. É jornalista, editor e escritor. Em 2000, fundou em Curitiba o jornal Rascunho (versão online: https://rascunho.com.br/) – uma das raras publicações sobre literatura no Brasil. Coordena o projeto Paiol Literário (https://paiolliterario.com.br/), do qual já participaram cerca de 70 escritores. Entre janeiro de 2011 e abril de 2019, foi diretor da Biblioteca Pública do Paraná. É autor do romance Na escuridão, amanhã (2013). Tem contos publicados e traduzidos para várias línguas.
Michael Kegler nasceu em 1967 em Gießen, passou parte da sua infância na Libéria e no Brasil. Desde os anos 90 que traduz obras provenientes das diversas variantes da língua portuguesa. Assim se tornou um conhecedor profundo das literaturas lusófonas. Recebeu em 2014 o Prémio de tradução Straelener e junto com Luiz Ruffato, em 2016 o prémio internacional Hermann Hesse.
Luísa Costa Hölzl nasceu em 1956 em Lisboa, vive em Munique desde 1975, onde se empenha em prol das culturas e literaturas lusófonas. Tem colaborado em várias publicações, com textos próprios ou com responsabilidade editorial. É docente de português, língua, literatura e cultura.