Um serão com ANNETTE PAULMANN & o tradutor LUIS RUBY
Assinalando o centenário de Clarice Lispector, este ícone da literatura brasileira e mundial, acabam de sair os contos inteiros em tradução alemã por Luis Ruby. Eles rompem os limites convencionais do pensamento e da linguagem. Com profundidade e humor eles dão conta do prazer feminino, do desejo na idade madura, da complexidade da vida e da eterna liberdade da escrita. Este serão quer aproximar-nos de Clarice, das etapas de sua vida atribulada e dos motivos de sua escrita.
Clarice Lispector nasceu em 1920, na Ucrânia, filha de pais judeus e cresceu no Nordeste brasileiro. Estudou direito e teve, como esposa de diplomata, uma vida agitada, cheia de glamour, e, ao mesmo tempo, eivada de rebeldia. A sua estreia com o romance “Perto do coração selvagem” em 1943 causou grande admiração por quebrar múltiplas convenções de escrita. Marcada por doença e consumo de medicamentos, Clarice viria a falecer em 1977, apenas com 56 anos.
Sinal de vida de um país, atualmente o segundo mais atingido pela pandemia do corona-vírus: Luiz Ruffato, incontestavelmente uma das mais relevantes vozes do Brasil, apresenta através de uma leitura em formato digital seu conto inédito „Jogo, água, fogo, mágoa“, traduzido para alemão por Michael Kegler. Em seguida estará aberto o debate entre autor e tradutor, havendo a possibilidade de participar no diálogo, através do chat.
Luiz Ruffato nasceu em 1961 em Cataguases, Minas Gerais. Teve várias profissões, como vendedor e mecânico, e estudou jornalismo. Seus romances (em alemão na editora Assoziation A) assumem uma visão crítica perante a realidade brasileira, retratando os que não têm voz e atentando à forte estratificação da sociedade. Sua concepção de literatura se define em uma frase sua: „Para mim, escrever é compromisso.“ O escritor vive em São Paulo.
O tradutor Michael Kegler nasceu em 1967 em Gießen, Alemanha e passou uma parte da sua infância na Libéria e no Brasil. Trabalhou como livreiro e jornalista, desde os finais dos anos 90 que traduz do português para alemão, sendo deste modo um difusor das literaturas lusófonas.
Em 2016 autor e tradutor foram agraciados com o prêmio literário „Internationaler Hermann-Hesse-Preis“.
— Devido a situação pandémica e ao encerramento dos cinemas, lamentamos comunicar que o festival e a mostra dos filmes foi cancelado. Agradecemos o vosso apoio e compreensão. —
Dentro da programação do Quarto Festival da Primavera de Cinema Brasileiro em Munique apresentamos no domingo, 22 de março, dois filmes que se baseiam na obra do escritor Luiz Ruffato.
18:00 horas
É uma adaptação de romance homônimo de Luiz Ruffato de 2010. Conta a história de Sérgio de Souza Sampaio, um jovem mineiro de Cataguases que, após uma série de decepções em sua vida pessoal, se decide a mudar para Portugal com o sonho de juntar dinheiro e rico, regressar ao Brasil. Na cidade de Lisboa se confronta com a miséria, reconhecendo que a realidade do imigrante difere da idealizada.
VO legendas em inglês (Drama BR/PT 2016, 1h 34min)
Direção: José Barahona
19:35 horas
Lembranças do passado voltam à tona. O filme se baseia em estórias da obra Inferno Provisório de Luiz Ruffato. Em Cataguases, cidade de Minas Gerais, dois amigos acabam se reencontrando após longo tempo sem se verem. Luzimar e Gildo eram inseparáveis durante a infância. Na véspera de Natal, os dois se reúnem para uma conversa regada a muita bebida, que desperta em Luzimar e Gildo a oportunidade de reavaliar seus caminhos e de falar sobre suas lembranças, seus remorsos e suas alegrias.
VO com legendas em alemão (Drama BR 2014, 1h40min)
Direção: José Luiz Villamarim
O festival decorre no fim de semana de 20-23 de março de 2020 sob o tema riqueza do Brasil em facetas, humanas e afetuosas, caóticas e injustas, apresenta vários filmes, dramas, comédias, documentários. Com música ao vivo e salgados brasileiros. Mais programa:
Sexta-feira, 20 de março
20:30h Simonal
Sábado, 21 de março
16:30h Amizade – Teokoayhu
18:30h Oração do Amor Selvagem
20:30h Maria do Caritó
Domingo, 22 de março
16:00h Se eu fosse você 2
Fado é património imaterial da humanidade desde 2011 e tem tido uma renascença bastante notável nos últimos anos graças a gente nova na cena de fado dentro do país e lá fora. As grandes salas de espetáculo são procuradas por esta gente, mas os lugares tradicionais do fado quase só são celebrados e frequentados em Portugal (em tascas, restaurantes, clubes de fado).
De 30 de janeiro a 1 de fevereiro dois cantores de Lisboa fazem acontecer 3 noites de fados em tascas situadas em Giesing e mostrar ao público de Munique esta música ao vivo, que não é música de fundo. Característico são setes de 4-6 fados, que dão uma estrutura ao serão, mas deixam liberdade para convívio e conversas entre os setes. O fado é interpretado por Matilde Cid e Manuel Marçal, acompanhado pela guitarra portuguesa (Luís Maria Hölzl) e a viola (Henrique de Miranda Rebouças).
Datas:
30.01. às 20 Uhr no RiffRaff, , Tegernseer Landstraße 96
31.01. às 16 Uhr no Tony´s Stüberl às 18 Uhr no Kastaniengarten
01.02. às 21 Uhr no Ambar Bistro, Tegernseer Landstraße 25
Matilde Cid nasceu em Estremoz e cresceu no seio de uma família ligada à música. Maria João Quadros convidou-a a integrar o elenco residente da “Casa da Mariquinhas” em Alcântara, em 2014 João Braga convidou-a para participar no seu concerto, onde a apresentou como uma das novíssimas vozes do fado a não perder de vista nos tempos mais próximos. Participou no festival de Fado Caixa Alfama em todas as suas edições (de 2014 a 2017). Em Dezembro de 2016 tive o seu primeiro concerto a solo no CCB o qual teve críticas muito positivas.
Manuel Marçal é cantor de fado e criou com a Fatum, uma organização com a missão de explicar o fado aos turistas e portugueses que desejam ir aos locais fora dos roteiros turísticos e visitar o fado como os fadistas o fazem. Foi director artístico de duas casas de fado e produtor de um musical em Londres (Once In Fado).
Luís Maria Hölzl fez entre 2004 e 2012 os estudos de guitarra na Escola Superior de Música de Würzburg (2009 diploma / 2012 Meisterklasse). Para além das suas apresentações como guitarrista clássico, tem participado em projetos de música contemporânea com guitarra elétrica e baixo. Colabora em projetos de fado e de música brasileira com a guitarra portuguesa (Fado Sul, Trio Fado, Bavaschôro) e, desde 2008, faz parte do projeto Fado Errático de Stefano Gervasoni com a fadista Cristina Branco. www.luismariahoelzl.de
Henrique de Miranda Rebouças (Salvador, Brasil) estudou violão clássico na Universidade Federal da Bahia. Obteve uma bolsa do DAAD e continuou os estudos na Musikhochschule Nürnberg-Augsburg (Meisterklassediplom em 2008). Desde 2014 Henrique é também Master of Arts pela Mozarteum Universität (Salzburgo). Suas atividades concertantes envolvem diferentes projetos como Fado Sul, Bavaschôro, Marcio Schuster Trio, Thomas Etschmann, Vatapá, Njamy Sitson.
Debate com Mario Lopes (coreógrafo, curador) e Dr. Emilio Astuto (advogado de Direito Internacional e Direitos Humanos).
Desde janeiro de 2019 que Jair Bolsonaro, um politico de extrema-direita, é presidente do Brasil. Perante seus apoiantes ele prometeu “ir libertar o país de seu jugo ideológico”. Desse modo ele delineou sua política para os próximos 4 anos e confirmou aquilo que muitos brasileiros tinham receado. Bolsonaro havia expressado o seu desprezo sobre negros, indígenas, homosexuais e glorificado a ditadura militar. As primeiras medidas concretas visaram facilitar o porte de armas, aumentar o controle de ONGs e acabar com o Ministério da Cultura. Na muito ativa e viva cena cultural brasileira a resistência está crescendo, muitos articuladores culturais se posicionam publicamente e tematizam em suas obras a queda para um regime de extrema-direita.
Ao fim de um ano desta presidência queremos fazer um balanço e falar sobre o quanto este governo tem transformado a sociedade brasileira. Qual o apoio da população? A longo prazo qual o significado desta política para o país? Como têm sido restringidos os direitos das comunidades LGBTIQ* e afro-brasileira? Como elas têm agido e como pode ser feita resistência sob uma perspetiva artística?